Polícia Legislativa investiga vazamento de dados de Vorcaro e apura responsabilidades

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A Polícia Legislativa do Congresso Nacional será acionada para investigar o que o presidente da CPMI do INSS classificou como vazamentos de material obtido na quebra de sigilos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador Carlos Viana tratou o caso como prioritário para preservar provas e identificar responsabilidades.

O presidente da comissão contextualizou a preocupação com a divulgação de dados sigilosos. “Sabemos é que existiram tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação e informações particulares ligadas à quebra de sigilo de Daniel Vorcaro que poderiam inviabilizar as provas”

Na segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou que a CPMI não acesse o material apreendido e guardado na sala-cofre da comissão. Viana disse que encaminhará ao gabinete do ministro um pedido formal cobrando o prazo para devolução assim que as informações privadas forem removidas do arquivo disponibilizado à CPMI.

O senador também destacou os limites do interesse parlamentar sobre os dados pessoais do investigado e situou o foco nas relações e recursos públicos. “Nos interessa o relacionamento dele com entes da República, com o sistema financeiro e o esclarecimento de onde foi parar o dinheiro roubado dos brasileiros.”

Convite a dirigentes do Banco Central e próximos passos

Para aprofundar as apurações acerca do Caso Master e das operações de crédito consignado que atingiram benefícios do INSS, Viana pretende ouvir, no mesmo dia, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente Roberto Campos Neto. A iniciativa busca reunir as explicações em sessão conjunta para reduzir confronto político entre governo e oposição.

Sobre a estratégia de convocação, o senador explicou o objetivo ao propor a audiência conjunta. “Minha ideia é convidarmos os dois para estarem juntos e receberem o mesmo tratamento diante da comissão e responderem a todas as perguntas de forma clara e transparente ao país”

Operações policiais, prisões e ligação com igrejas

A nova etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, trouxe mais desdobramentos ao esquema sob investigação pela CPMI. A deputada Maria Gorete Pereira, apontada em investigações como figura central, foi mencionada diversas vezes durante as audiências, segundo o presidente da comissão.

Ao avaliar o avanço das investigações, o senador antecipou que novas prisões são esperadas. “Já são 14 os presos ligados ao escândalo do INSS e outras prisões virão”

Em tom crítico sobre a dimensão do caso, Viana afirmou que o esquema lesionou diretamente beneficiários do sistema previdenciário e comprometeu parte da administração pública. “Estamos diante de um esquema que atacou diretamente aposentados e pensionistas e que corrompeu boa parte do Estado brasileiro.”

O presidente da CPMI também comentou investigações que apontaram envolvimento de igrejas no fluxo de recursos relacionados ao caso. Ele citou que seis templos aparecem nas apurações e que foram quebrados sigilos bancários de pessoas investigadas. A Igreja Batista da Lagoinha figura nas menções porque o cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, foi apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do Master; a instituição nega vínculo financeiro com o banqueiro e afirma que Zettel atuou como voluntário.

Ao tratar da relação entre o pastor e a instituição, Viana registrou que havia separação jurídica e vínculo com o banco. “Há um relacionamento de um pastor que tinha uma igreja separada, CNPJ separado, e que tinha ligação com o [banco] Master. Ele [Fabiano Zettel] tem que dar explicações e já foi convocado [pela CPMI].”

Em paralelo às investigações, o presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, publicou no Diário Oficial da União a suspensão de novas operações de crédito consignado envolvendo o banco C6, até que cobranças indevidas descontadas de benefícios sejam restituídas aos aposentados e pensionistas com a devida correção.

Viana enfatizou a orientação da presidência da CPMI para interromper práticas lesivas e buscar reparação aos prejudicados. “Sempre foi um apelo dessa presidência [da CPMI] interromper, imediatamente, as práticas abusivas, proteger o aposentado, corrigir o sistema e responsabilizar quem errou.”

Por fim, o presidente defendeu a prorrogação do prazo de trabalho do colegiado, cujo encerramento está previsto para 28 de março, argumentando que a investigação do rombo na Previdência precisa ser concluída mesmo em ano eleitoral.

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