Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia por discordar da guerra contra o Irã

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O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos renunciou ao posto nesta terça-feira (17), por não concordar com a ofensiva militar contra o Irã promovida pelo governo de Donald Trump em conjunto com Israel. Kent exercia o cargo ligado ao Escritório Nacional de Inteligência dos EUA.

Kent ressaltou sua convicção como motivo central da saída

Kent ressaltou sua recusa em endossar a ação militar e explicou os motivos pessoais e profissionais que o levaram a pedir exoneração. “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação, e é claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby”

O então assessor da Casa Branca relacionou sua ruptura com uma mudança na condução política e externa do presidente

Kent lembrou que em campanhas eleitorais anteriores apoiou os valores e as políticas que Trump defendia quando, na condição de candidato, afirmava que as guerras no Oriente Médio “eram uma armadilha que roubava da América as preciosas vidas de nossos patriotas”.

O ex-diretor também atribuiu a escalada à influência externa sobre a administração

Kent apontou que o presidente foi levado a crer em uma ameaça iminente por um ambiente informacional que o cercou. “Essa câmara de eco foi usada para enganá-lo, fazendo-o acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos EUA e que, se você atacasse agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque”

Dados sobre a trajetória militar e pessoal de Kent foram apresentados ao justificar a decisão

Veterano com 20 anos de serviço, Kent completou 11 destacamentos em combates no Oriente Médio e se aposentou das Forças Armadas em 2018. Ele citou ainda a perda pessoal que o marcou no conflito. “[Perdi] minha amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano”

Na estrutura da Casa Branca, o cargo ocupado por Kent estava sob a coordenação da diretora do Escritório Nacional de Inteligência Tulsi Gabbard, órgão que articula a comunidade de inteligência dos EUA e assessora a administração e demais instituições de segurança do país.

Contexto das alegações que motivaram a guerra foi apontado em declarações e análises

Em março de 2025 a chefe do DNI havia negado que o Irã estivesse construindo uma arma nuclear, contrária à narrativa sustentada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, segundo divulgação oficial. Analistas ouvidos pela Agência Brasil advertiram que a acusação sobre um programa nuclear iraniano poderia funcionar como um pretexto para derrubar o governo de Teerã.

As avaliações consultadas indicam que a estratégia de mudança de regime no Irã perseguiria reduzir a oposição de Teerã às políticas de Washington e Tel Aviv no Oriente Médio e conter a expansão econômica da China na região em meio à guerra comercial com os Estados Unidos.

O contexto político doméstico americano também figura entre os elementos citados por Kent

O então assessor destacou que a eleição de Trump contou com críticas às intervenções no Oriente Médio e à participação na Ucrânia, uma postura que alimentou resistências dentro da base republicana à agressão atual contra o Irã, conforme informações recolhidas durante sua atuação.

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