Lula diz que defesa deve ser ampliada em parceria com a África do Sul

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira durante encontro com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa que os dois países precisam investir em autonomia na área de defesa e unir capacidades industriais para garantir autodefesa.

Ao receber Ramaphosa no Palácio do Planalto, Lula ressaltou a urgência de preparar o país para ameaças externas e de construir um mercado relevante para a indústria de defesa a partir da cooperação entre as nações do Sul Global.

“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”

Em seguida, o presidente criticou a dependência de fornecedores externos e defendeu a produção própria de armamentos e equipamentos militares.

“Não precisamos ficar comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”

As declarações foram feitas após a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, de comércio exterior e da indústria no Palácio do Planalto, conforme divulgado oficialmente, em visita que se estende até terça-feira.

Impactos do conflito no Oriente Médio e preço do petróleo

Lula também declarou sua profunda preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio e associou a guerra ao aumento global no preço do petróleo, que segundo o presidente tende a se elevar ainda mais.

O presidente citou os efeitos humanitários e econômicos do episódio iniciado em 28 de fevereiro, após ações coordenadas de Estados Unidos e Israel contra o Irã, e afirmou que houve vítimas de grande impacto.

Os bombardeios matarem o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei e quase duas centenas de pessoas em Teerã

O chefe do Executivo pediu diálogo e diplomacia como caminho para evitar uma escalada superior e defender soluções duradouras.

“O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura”

Ao detalhar os efeitos, Lula alertou para as consequências sobre cadeias de energia, insumos e alimentos, e para a maior vulnerabilidade de grupos como mulheres e crianças.

“Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos. São mais vulneráveis, sobretudo, as mulheres e as crianças que sofrem os impactos mais severos dessas crises”

Terras raras e desenvolvimento industrial

No encontro, o presidente apontou que o Brasil dispõe de potencial para mineração de minerais críticos que são essenciais à transição energética e digital, e defendeu um novo padrão de aproveitamento desses recursos em benefício da população.

Lula alertou contra a repetição do modelo de exportação de matéria-prima sem beneficiamento e indicou que é preciso fortalecer cadeias produtivas conjuntas entre Brasil e África do Sul.

“Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi feito por minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando 100 vezes mais caro”

O presidente também evocou o histórico de exploração e exigiu mudança no modelo de apropriação das riquezas minerais.

“Chega! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais querer levar? Quando a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando para os outros?”

Lula defendeu que a extração de minerais críticos seja organizada de modo a melhorar as condições de vida da população, a partir do conhecimento do potencial mineral das duas nações.

Por fim, o presidente confirmou presença em 18 de abril em Barcelona a convite do primeiro-ministro da Espanha Pedro Sánchez para a quarta reunião Em defesa da Democracia, onde quer articular regras sobre ambiente digital e inteligência artificial e valorizar fontes de informação de qualidade.

“Queremos aproximar nossos países nos temas de regulação do ambiente digital, inteligência artificial e a valorização das fontes de informação de qualidade, incluindo tantas políticas domésticas quanto a articulação para fortalecer essa agenda no ambiente multilateral”

Ao encerrar a agenda com o visitante, Lula reafirmou a convicção compartilhada de que o Sul Global deve ter voz ativa nas grandes decisões internacionais.

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