Atos em 18 capitais pedem fim da violência contra a mulher
Manifestações ocorrem em pelo menos 18 cidades e reúnem autoridades e movimentos sociais em defesa dos direitos femininos e justiça para as vítimas
Manifestantes ocupam as ruas de pelo menos 18 capitais brasileiras neste domingo em atos pelo Dia Internacional da Mulher. A mobilização nacional tem como pauta central o combate à violência de gênero e reúne sindicatos, partidos políticos e coletivos feministas. O cenário nas cidades mescla reivindicações por políticas públicas e homenagens às vítimas recentes de crimes contra a vida das mulheres.
O protesto no Rio de Janeiro destaca a indignação popular com casos recentes de estupro coletivo contra adolescentes. As investigações ganharam repercussão nacional nos últimos dias e resultaram na prisão de quatro acusados pela Polícia Civil nesta semana. Um adolescente apontado como mentor dos crimes também foi apreendido pelas autoridades.
A manifestação carioca ocupa duas quadras da avenida Atlântica na praia de Copacabana e conta com a presença de estudantes do colégio Pedro II. Um dos cartazes exibidos na orla questiona a responsabilidade das instituições de ensino no episódio e exibe o rosto dos envolvidos. “Se as escolas sabiam do assédio às alunas por que não denunciaram?”.
Autoridades do governo federal e parlamentares participam do ato na zona sul do Rio. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, marca presença ao lado das deputadas federais Benedita da Silva, Jandira Feghali e Talíria Petrone. O evento inclui apresentações teatrais e discursos em trios elétricos com bandeiras de movimentos sociais.
A capital paranaense realizou um ato simbólico nas escadarias da Universidade Federal do Paraná com a exposição de calçados femininos. A intervenção organizada pelo Conselho Regional de Psicologia utilizou os pares de sapatos para representar as 87 vítimas de feminicídio registradas no estado no ano passado. O grupo marchou pela avenida Marechal Deodoro após a concentração na praça Santos Andrade.
Semiramis Vedovatto, presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRP-PR, explicou o objetivo de humanizar as estatísticas durante a ação em Curitiba. “Essas mulheres têm histórias. São filhas, mães, tias, colegas do trabalho, amigas, profissionais. E queríamos dar materialidade a este número frio”.
Dados divulgados neste mês pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam um aumento de 4,7% nos casos de violência letal contra mulheres em relação ao período anterior. O levantamento contabilizou 1.568 vítimas e revela que a maioria dos agressores possui vínculo direto com a mulher. Parceiros íntimos e ex-parceiros são responsáveis por mais de 80% das ocorrências registradas.
O perfil das vítimas traçado pela análise de 5.729 registros entre 2021 e 2024 indica uma prevalência de crimes contra mulheres negras. Elas representam 62,6% do total de casos analisados no período. As mulheres brancas correspondem a 36,8% das vítimas de feminicídio segundo o estudo de segurança pública.
A agenda de mobilizações cobre todas as regiões do país ao longo do dia. Atos ocorreram pela manhã em cidades como Belo Horizonte, Salvador, Belém, Cuiabá e nas três capitais da região Sul. A programação prevê manifestações no período da tarde em Brasília, São Paulo, Fortaleza, Manaus e Boa Vista.

