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MPMS instaura inquérito civil para apurar danos ambientais em Terenos após rompimento de barragem

MPMS instaura inquérito civil para apurar danos ambientais em Terenos após rompimento de barragem

Investigação mira recuperação do córrego Indaiá e aplicação de medidas emergenciais após incidente que gerou multas de mais de R$ 270 mil

A 1ª Promotoria de Justiça de Terenos instaurou um inquérito civil para investigar os prejuízos ambientais decorrentes do rompimento de uma barragem na zona rural do município em abril de 2024. O processo visa assegurar a implementação de ações emergenciais para a recuperação da área afetada, especialmente a integridade do Córrego Indaiá. Conforme dados técnicos apurados durante a investigação, os autos de infração ambiental aplicados já ultrapassam a cifra de R$ 270 mil.

Diante da gravidade da situação, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) impôs multas superiores a R$ 270 mil e emitiu notificações que determinam uma série de providências urgentes para mitigar os danos. Entre as exigências estão a apresentação de um laudo técnico detalhado, a elaboração de um plano de descaracterização da barragem e o desenvolvimento de um Projeto de Recuperação de Área Degradada (Prada). A documentação do procedimento aponta que os custos estimados apenas para as intervenções estruturais iniciais já chegam a R$ 180 mil.

O plano de recuperação ambiental delineia o isolamento completo da área comprometida, a realização de terraceamento, a contenção de processos erosivos, a recomposição da cobertura vegetal e um monitoramento periódico. Estas e outras medidas são consideradas essenciais para restabelecer a estabilidade ecológica do local danificado. Relatórios técnicos anexados ao inquérito também detalham despesas com o monitoramento ambiental e outras intervenções já realizadas.

Relatórios do órgão ambiental estadual indicam que a ruptura da estrutura foi precedida por chuvas intensas, acima da média histórica. Este cenário foi agravado por intervenções viárias recentes que modificaram o escoamento das águas pluviais na região, concentrando um volume excessivo no reservatório. Essa sobrecarga resultou em assoreamento acelerado, erosão do solo e no colapso do extravasor central da barragem.

A força do rompimento transformou o local que antes era alagado em um vasto depósito de lama e sedimentos, prejudicando áreas de preservação permanente e causando danos significativos à jusante. As investigações também revelaram que modificações no sistema de drenagem, causadas pela pavimentação da rodovia MS-352, tiveram um papel crucial na sobrecarga hídrica do reservatório, contribuindo para o seu colapso.

O Promotor de Justiça Eduardo de Araújo Portes Guedes afirmou que o Ministério Público do Estado acompanha de perto cada etapa deste processo, realizando a análise minuciosa de relatórios técnicos, documentos de fiscalização e das ações já implementadas. Ele também requisitou informações adicionais, visando uma compreensão completa das causas do incidente e para assegurar a efetividade das medidas corretivas. O MPMS ainda ressalta a importância de fiscalizações contínuas e da revisão de estruturas hidráulicas em áreas de alto risco de grandes fluxos de água, especialmente diante de condições climáticas extremas.

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