Câmara suspende vereador por 45 dias após agressão a ambulante em Corumbá

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A Câmara Municipal de Corumbá aprovou, por unanimidade, a suspensão por 45 dias do vereador Elio Moreira Júnior, após análise do relatório da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar que apurou denúncia de agressão e destruição de bens contra um vendedor ambulante.

A penalidade aplicada seguiu integralmente a recomendação da comissão. A votação ocorreu de forma nominal durante a sessão desta segunda-feira (23), acompanhada por plenário lotado.

O parlamentar não compareceu à sessão, alegando problemas de saúde.

Plenário cheio e protestos

A sessão foi marcada por forte presença popular. Munidos de cartazes, moradores acompanharam a votação e reagiram com indignação ao resultado, considerado brando por parte do público.

O ambulante envolvido no episódio também esteve presente e criticou a decisão.

“Hoje temos certeza que os vereadores podem fazer o que quiser com o cidadão e vai encontrar respaldo dos colegas. O trabalhador é quem tem que tomar cuidado, eles podem fazer o que quiser”, afirmou.

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Ambulante agredido acompanhou a sessão que livrou parlamentar da cassação / Fotos: Weber Reis

Ao final da sessão, manifestantes protestaram contra a decisão com gritos de “vergonha” no plenário.

Relembre o caso

O episódio ocorreu em 27 de dezembro de 2025, na região central da cidade. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram discussão entre o vereador e o trabalhador, com ofensas verbais e a quebra do isopor utilizado para a venda de alimentos.

O caso foi registrado na Polícia Civil, que concluiu inquérito e indiciou o parlamentar por três crimes: injúria, ameaça e dano. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, onde segue para análise das providências cabíveis na esfera criminal.

Paralelamente, a denúncia motivou a abertura de processo interno na Câmara, conduzido pela Comissão de Ética, que realizou oitivas, analisou provas materiais e audiovisuais e elaborou parecer submetido ao plenário.

Pressão popular por cassação

A decisão da Casa ocorre em meio a forte mobilização popular. Um abaixo-assinado online que pede a cassação do mandato do vereador ultrapassou duas mil assinaturas — número que supera com folga os 1.135 votos obtidos por ele na última eleição municipal.

Apesar da pressão e do indiciamento criminal, a maioria dos parlamentares optou pela aplicação de suspensão temporária de 45 dias, encerrando, no âmbito administrativo da Câmara, a fase de apuração interna do caso.

Na esfera judicial, o processo segue sob responsabilidade do Ministério Público e do Poder Judiciário.

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