Pilotos criticam novas regras da F1; Bortoleto aponta ‘bagunça’ de botões
Pilotos expressam ceticismo e preocupação com as futuras regras da Fórmula 1
As novas regulamentações da Fórmula 1 para 2026 têm gerado controvérsia entre os pilotos, que relatam apreensão com as mudanças. A principal crítica se concentra na complexidade e na sensação de perda da essência da pilotagem, com alguns chegando a comparar a experiência a categorias de carros elétricos.
Max Verstappen, um dos mais vocais, declarou que as novas regras o impedem de pilotar no limite constantemente. Segundo ele, a gestão de energia e a eficiência se tornaram o foco principal, o que o faz sentir que a categoria se assemelha a uma Fórmula E “com esteroides”. O piloto holandês sugeriu que, se o objetivo é puramente eficiência energética, talvez fosse mais apropriado competir na categoria elétrica.
A Fórmula E, por sua vez, respondeu às críticas. Jeff Dodds, CEO da categoria elétrica, viu a declaração de Verstappen como uma oportunidade para alfinetar a F1. O piloto brasileiro Lucas di Grassi, com um histórico de sucesso na Fórmula E, também comentou nas redes sociais, considerando a comparação um elogio à entrega de torque imediata dos carros elétricos.
George Russell, na sua posição como diretor da GPDA (Associação dos Pilotos), levantou sérias preocupações de segurança relacionadas à aerodinâmica ativa. Ele alertou para o risco de velocidades de até 360 km/h em retas com baixo downforce, o que faria os carros “flutuarem”. Russell destacou que qualquer falha no sistema de asa móvel ou uma mudança climática súbita nessas condições poderia resultar em um grave problema de segurança, pedindo à FIA uma reavaliação dos protocolos antes da estreia.
O jovem piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, em sua análise sobre o carro de 2026, descreveu a experiência como uma “bagunça de botões e mapas de energia” que precisam ser gerenciados simultaneamente à pilotagem. Vindo da F2, ele apontou que a carga cognitiva para operar o novo carro é um obstáculo brutal, transformando o piloto em um “engenheiro dentro do carro”. Bortoleto também observou que o aumento do peso, para cerca de 800kg, impacta negativamente a agilidade do carro em curvas de baixa velocidade.
Lewis Hamilton confessou que o regulamento é “ridiculamente complexo”, a ponto de o fã ter dificuldade em compreender as ações do piloto, como tirar o pé em uma reta de classificação para recarregar a bateria. Ele brincou que “parece que você precisa de um diploma para entender tudo o que está acontecendo no painel”.
Fernando Alonso, com seu característico sarcasmo, criticou a perda da “essência da pilotagem”. O bicampeão argumentou que o excesso de automação e a dependência de sistemas elétricos tornaram o carro menos físico e excessivamente controlado por algoritmos. Alonso lamentou que o instinto do piloto ficou em segundo plano, a ponto de afirmar que “se você colocar o chef de cozinha da Aston Martin no cockpit, ele provavelmente conseguiria completar as voltas em um ritmo decente”.

