Desfiles de São Paulo unem luxo e tecnologia em noite com atrasos
A primeira noite do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo foi marcada pelo contraste entre apresentações grandiosas e problemas logísticos que afetaram o cronograma entre a sexta-feira e a manhã de sábado. O público presente no Sambódromo do Anhembi acompanhou desfiles repletos de recursos tecnológicos e alegorias luxuosas protagonizados principalmente pela Dragões da Real e pela Rosas de Ouro.
Um incidente com uma alegoria da Acadêmicos do Tatuapé comprometeu a fluidez do evento e gerou uma espera de mais de uma hora. O vazamento de óleo na pista obrigou a organização a realizar uma limpeza de emergência antes da entrada da Rosas de Ouro, atual campeã, que precisou aguardar a liberação do trajeto.
Rosas de ouro sofre punição administrativa
A agremiação da zona norte entrou na avenida com o enredo sobre o universo e o destino humano, aproveitando o novo sistema de iluminação do sambódromo para destacar suas alegorias. A escola sofreu uma penalidade de meio ponto na nota final devido ao descumprimento do prazo para a entrega das pastas técnicas aos jurados.
A Dragões da Real apostou em efeitos especiais para contar seu primeiro enredo de temática indígena sobre as guerreiras Icamiabas. O desfile contou com um dragão articulado de grandes proporções e uma alegoria onde uma onça se transformava em mulher, além da estreia da cantora Lexa à frente da bateria.
Tatuapé e vai-vai exaltam temas sociais e culturais
A Acadêmicos do Tatuapé levou para a avenida uma crítica à concentração de terras e uma homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O desfile teve a participação de figuras públicas como o jornalista Chico Pinheiro e o ex-jogador Raí, encerrando com a distribuição de frutas para a comunidade após a passagem pelo sambódromo.
A Vai-Vai homenageou a indústria cinematográfica e os trabalhadores da região do ABC paulista, com foco na Companhia Cinematográfica Vera Cruz. A maior detentora de títulos do carnaval paulistano contou com forte apoio das arquibancadas, que cantaram o samba-enredo durante toda a apresentação.
Outras escolas enfrentam o cronômetro
A Mocidade Unidos da Mooca abriu a noite com uma homenagem à ativista Sueli Carneiro e ao Instituto Geledés, destacando a força da mulher negra. A escola precisou acelerar o passo nos momentos finais e concluiu sua passagem faltando apenas vinte segundos para o estouro do tempo regulamentar.
A Colorado do Brás apresentou um enredo lúdico sobre bruxas e personagens da ficção infantil, trazendo a atriz Fabi Bang com figurino de seu musical. A Barroca da Zona Sul encerrou as apresentações já com a luz do dia em um tributo à orixá Oxum, enfrentando falhas em uma alegoria que obrigaram os integrantes a correr para finalizar o desfile no tempo limite.
A estrutura de julgamento passou por alterações neste ano com a instalação de torres ao longo dos 530 metros de pista. O objetivo da mudança foi permitir que os avaliadores analisassem as escolas de diferentes perspectivas e distâncias durante o cortejo.

