Dicas de segurança bancária para curtir o carnaval sem cair em golpes

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O aumento da aglomeração nas ruas durante o feriado exige medidas preventivas contra crimes patrimoniais e digitais

O período de festas populares mobiliza milhões de pessoas e, consequentemente, atrai a atuação de criminosos especializados em fraudes financeiras. O cenário de multidões facilita a aplicação de golpes rápidos, exigindo que os foliões adotem estratégias de proteção antes mesmo de saírem de casa. Instituições financeiras e empresas de tecnologia têm ampliado o leque de ferramentas de segurança para mitigar esses riscos.

Uma das práticas mais comuns alertadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) é a troca do cartão após o pagamento. O criminoso, que muitas vezes atua como vendedor ambulante, observa a senha digitada pelo cliente e, na devolução, entrega um cartão similar, mas pertencente a outra pessoa. A recomendação da entidade é que o próprio usuário insira e retire o cartão da máquina, conferindo sempre se o nome impresso no plástico devolvido é realmente o seu.

Outro ponto de atenção envolve o visor das maquininhas. Equipamentos com a tela danificada ou que não exibem claramente o valor da compra devem ser evitados. A verificação do campo de senha também é essencial, pois o visor deve mostrar apenas asteriscos durante a digitação. Caso o cliente perceba qualquer irregularidade ou movimentação estranha, a compra não deve ser concluída.

Ajustes preventivos de limites e aplicativos

A preparação digital é tão importante quanto a física. A Zetta, associação que reúne empresas de tecnologia financeira, destaca a importância de reduzir os limites de transações via Pix e cartões de crédito para valores compatíveis com os gastos diários previstos. Essa medida limita o prejuízo financeiro caso o aparelho celular seja furtado ou o consumidor seja coagido a realizar transferências.

Diversas instituições financeiras desenvolveram modos específicos de segurança baseados em geolocalização e redes confiáveis. O Nubank oferece o Modo Rua, que permite ao cliente estipular um valor máximo para operações fora de casa. Já o Mercado Pago disponibiliza o Modo Blindado, capaz de ocultar saldos e investimentos quando o celular não está conectado a uma rede Wi-Fi segura, como a da residência do usuário.

O Banco Inter opera com o Modo Vigilante, que exige autenticações extras, como biometria, para transações que fujam do padrão ou ocorram fora de endereços cadastrados. O Itaú segue linha similar com o Modo Protegido, adicionando camadas de verificação para transferências externas. O Santander aposta na Gestão de Limites dinâmica e no Bloqueio Imediato, ferramenta que trava o acesso à conta rapidamente em caso de perda do dispositivo.

Proteção nativa dos sistemas operacionais

As desenvolvedoras de sistemas operacionais para smartphones também implementaram recursos para dificultar o acesso a dados sensíveis. O Google recomenda aos usuários de Android a ativação da proteção contra roubo. A funcionalidade utiliza inteligência artificial para detectar movimentos bruscos que sugiram furto, bloqueando a tela automaticamente. Há também opções de bloqueio remoto e travamento caso o dispositivo fique desconectado da internet por muito tempo.

Para usuários de iPhone, a Apple disponibiliza a Proteção de Dispositivo Roubado. Quando o aparelho está longe de locais familiares, como casa ou trabalho, o sistema exige autenticação biométrica (Face ID ou Touch ID) para acessar senhas salvas ou realizar alterações críticas na conta, impedindo que apenas o código numérico seja suficiente para assumir o controle do dispositivo.

Medidas de reação em caso de furto ou fraude

A agilidade na resposta é determinante para minimizar danos após um incidente. O Ministério da Justiça oferece o aplicativo Celular Seguro, que permite bloquear a linha telefônica e o acesso a aplicativos bancários de parceiros cadastrados de forma centralizada. O registro da ocorrência pode ser feito por meio de um computador ou outro celular, utilizando a conta Gov.br.

Caso a fraude bancária, especialmente via Pix, já tenha ocorrido, a orientação da Febraban é acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) 2.0. O cliente deve notificar o banco imediatamente e registrar um boletim de ocorrência. Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban, ressalta a necessidade de rapidez. “O ideal é agir rápido. Quanto mais tempo o aparelho fica nas mãos do criminoso, maiores podem ser os danos”. O sistema bloqueia os valores na conta do recebedor para análise e, confirmada a fraude, realiza a devolução à vítima.

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