Babá brasileira recebe pena máxima nos Estados Unidos por participação em duplo homicídio
A brasileira Juliana Peres Magalhães recebeu a sentença máxima de dez anos de prisão nesta sexta-feira no condado de Fairfax, nos Estados Unidos. A decisão judicial ignorou a recomendação da promotoria local, que sugeria uma pena equivalente ao tempo já cumprido pela ré, cerca de dois anos, devido à sua colaboração com as investigações.
Juliana foi considerada culpada pela participação nas mortes de Christine Banfield e Joseph Ryan, ocorridas em 2023. A magistrada Penney S. Azcarate classificou o episódio como um dos casos de homicídio mais graves já vistos pelo tribunal e determinou que a babá cumpra também dois anos de liberdade condicional após o encarceramento.
A juíza foi enfática ao justificar a aplicação da pena mais rigorosa permitida para a acusação de “manslaughter”, uma categoria de homicídio com dolo reduzido. “Suas ações foram deliberadas, motivadas por interesse próprio e demonstraram um profundo desprezo pela vida humana. Então, sejamos claros: você não merece nada além do encarceramento e de uma vida de reflexão sobre o que fez à vítima e à família dela.”
Investigações apontaram que Juliana mantinha um relacionamento extraconjugal com Brendan Banfield, marido de Christine e seu patrão na época. A dupla elaborou um plano para eliminar a esposa de Brendan e incriminar Joseph Ryan, permitindo que o casal ficasse junto. O esquema envolveu a criação de um perfil falso em um site de fetiches para atrair Ryan até a residência da família.
O desfecho trágico resultou na morte de Ryan, atingido por disparos efetuados pela brasileira, e no assassinato de Christine, esfaqueada pelo próprio marido. Brendan foi condenado em janeiro por homicídio, uso de arma de fogo e por colocar a filha de quatro anos em risco, com a sentença prevista para ser anunciada em maio, podendo chegar à prisão perpétua.
Familiares das vítimas prestaram depoimentos marcados pela emoção durante a audiência. Deirdre Fisher, mãe de Joseph Ryan, lamentou a perda irreparável e a brutalidade do crime. “Perdi meu confidente, que me ouvia sem julgamento e que custava dizer que eu deveria me tratar com mais carinho. Perdi a chance de ser um dia ser chamada de avó e nunca mais serei chamada de mãe.”
A defesa de Brendan tentou desqualificar a babá durante o processo, alegando interesses financeiros por parte dela. Mensagens apresentadas no tribunal pelo advogado John Carroll indicaram que Juliana teria iniciado conversas com um jornalista para a produção de um documentário sobre o caso para a plataforma Netflix.
Antes de ouvir a sentença, a ré leu um comunicado pedindo perdão aos familiares afetados pela tragédia, reconhecendo que ultrapassou limites morais e legais. “Eu não vou me perdoar pela dor que causei. Não o que eu possa fazer. Há tantos arrependimentos, sei que meu remorso não trará paz a ninguém.”

