Polícia indicia sócios de academia por morte de aluna intoxicada em piscina
Autoridades afirmam que estabelecimento na zona leste de São Paulo aplicou quantidade de cloro equivalente a uma semana em apenas um dia
A Polícia Civil indiciou três sócios da academia C4 Gym por homicídio doloso após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. O inquérito conduzido pelo 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas, aponta que os responsáveis pelo estabelecimento priorizaram o lucro em detrimento da segurança dos frequentadores ao manipular produtos químicos de forma inadequada.
As investigações revelaram que uma quantidade excessiva de cloro foi despejada na piscina para tratar a água rapidamente e evitar a interrupção das atividades. O delegado Alexandre Bento destacou que a medida visava maquiar as condições do local. “A carga de cloro que usavam em um dia era para uma semana.”
O incidente ocorreu no último sábado durante uma aula de natação em um ambiente confinado. A mistura de diferentes tipos de produtos elevou a toxicidade do ar próximo à raia onde as atividades aconteciam. Além da morte de Juliana, outras seis pessoas foram atingidas pela intoxicação, incluindo o marido da vítima, que permanece internado em estado grave.
Apurações indicam que os empresários tentaram dificultar o trabalho policial. Mensagens trocadas no dia do ocorrido foram apagadas de aparelhos celulares e houve recusa no fornecimento de documentos essenciais, como a lista de alunos presentes, solicitada pela Vigilância Sanitária.
O delegado Rodrigo Rezende ressaltou a gravidade da conduta dos proprietários ao negar informações que poderiam auxiliar no tratamento médico dos sobreviventes. “Dificultaram acesso aos produtos solicitados, um pedido dos médicos para melhor atendimento dos pacientes intoxicados. Fica claro a ganância dessas pessoas, o descaso com as vítimas.”
Severino José da Silva, manobrista que realizava a manutenção da piscina, não foi indiciado neste momento. As autoridades concluíram que o funcionário não possuía capacidade técnica para a função e apenas obedecia a ordens diretas de seus superiores. A defesa do funcionário entregou o celular dele à polícia para comprovar que as instruções partiam de um dos sócios, identificado como Celso.
A advogada do manobrista, Bárbara Bonvivini, reforçou que o cliente agia sob comando da direção. “No celular constam as conversas com Celso, que dizia o que deveria ser feito. Ele recebia 100% das ordens do Celso.”
A administração da C4 Gym emitiu um comunicado anterior ao indiciamento lamentando o episódio. A nota informa que o estabelecimento prestou socorro imediato, mantém contato para dar suporte aos afetados e colabora integralmente com as investigações policiais.

