Reprovação no vestibular exige análise de erros e apoio emocional para recomeço

news 163107 1770293445

A divulgação das listas de aprovados em processos seletivos como o Sisu e grandes vestibulares traz um misto de emoções. Para quem não encontrou o nome na lista, o sentimento de frustração é imediato, mas não definitivo. O caso da estudante Marina Motta, de 21 anos, ilustra a possibilidade de reviravolta. Aprovada em arquitetura e urbanismo na USP após três tentativas, ela enfrentou a angústia de bater na trave por dois anos consecutivos antes de alcançar a vaga.

O primeiro passo para a retomada é o acolhimento dos próprios sentimentos. A orientadora profissional e professora de psicologia da PUC-RS, Manoela Ziebell, recomenda vivenciar o luto da reprovação antes de tomar novas decisões. “É importante viver mesmo o momento de frustração, desde que ele não seja extremamente longo. E, em um segundo momento, poder olhar para o que pode não ter saído bem”.

A poeira baixa e abre espaço para uma análise técnica do desempenho. Rodrigo Machado, coordenador do Curso Anglo, sugere um diagnóstico preciso sobre a natureza do erro, seja ele falta de conhecimento, problemas na gestão do tempo ou distrações. “Qual é a natureza desse erro? É conhecimento? É distração? É alguma habilidade, como leitura de gráfico ou interpretação?”

Estratégias personalizadas e descanso

Compreender as particularidades de cada banca examinadora é fundamental. A Fuvest exige competências distintas do Enem ou da Unicamp, o que demanda um direcionamento específico dos esforços. “Um preparo mais direcionado para determinadas provas pode aumentar as chances de sucesso”.

A mudança de estratégia foi decisiva para Marina. No segundo ano de cursinho, a obsessão pelos estudos deu lugar ao respeito pelo próprio ritmo e à descoberta de métodos de aprendizado mais visuais, como desenhos e resumos. “No meu segundo ano de cursinho, eu ficava obcecada pela ideia de estudar. Precisamos entender que tem a parte do descanso. Pouca coisa é melhor do que nada, e é melhor do que estudar tudo e morrer de exaustão e não conseguir focar em nada”.

Inspiração e suporte familiar

A culpa não deve fazer parte do processo de quem não obteve a vaga, considerando a alta concorrência do sistema educacional. Silmara Casadei, diretora de ensino do sistema Positivo, propõe transformar a comparação com colegas aprovados em fonte de aprendizado. “O que aquele que conseguiu fez de diferente? Talvez tenha feito duas redações por semana em vez de uma, ou participado de simulados e olimpíadas. Tudo isso são caminhos para o recomeço”.

Marina encontrou na própria casa o exemplo de persistência. A irmã, aprovada inicialmente em veterinária na USP, optou por continuar tentando até passar em medicina em uma universidade federal. “Ela passou na USP em veterinária e, mesmo assim, escolheu não desistir do sonho dela. Então, eu tive bastante influência da minha irmã para não desistir”.

O ambiente familiar desempenha papel central na motivação para um novo ciclo de estudos. O reconhecimento do esforço e da dedicação ao longo do ano deve prevalecer sobre a cobrança pelo resultado negativo, garantindo a base emocional necessária para as próximas tentativas.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também