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Criminosos criam sites falsos de pedágio free flow para desviar pagamentos via pix

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Esquema fraudulento explora sistema de cobrança automática sem cancela e direciona valores para contas de laranjas por meio de páginas clonadas na web

O sistema de pedágio eletrônico sem cancela, denominado “free flow”, tornou-se o novo foco de estelionatários digitais. Dezenas de páginas fraudulentas foram criadas para simular o ambiente de consulta e pagamento de tarifas, induzindo motoristas a transferirem valores via Pix para contas controladas por criminosos. A tática utiliza dados verdadeiros dos automóveis para conferir credibilidade ao golpe.

Um levantamento da empresa de segurança digital Kaspersky identificou mais de 50 domínios falsos registrados desde meados de dezembro de 2025. A armadilha começa nos mecanismos de busca e redes sociais, onde os golpistas investem em anúncios patrocinados. Essa estratégia posiciona os links maliciosos entre os primeiros resultados exibidos quando o usuário procura por serviços de quitação de pedágios.

Ao clicar no endereço fraudulento, a vítima insere a placa do carro e visualiza um suposto débito pendente. O sistema falso exibe informações corretas, como modelo e ano do veículo, e cobra um valor baixo, compatível com as tarifas reais. Convencido da legitimidade, o motorista efetua o pagamento instantâneo. O dinheiro é destinado a contas de “laranjas” em fintechs menores, com constante troca de titulares para dificultar o rastreamento policial.

Fabio Assolini, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky para a América Latina e Europa, explica que a sofisticação do ataque reside na combinação de tráfego pago e uso de informações vazadas. “Criminosos usam anúncios pagos para chegar primeiro às vítimas e manipulam a confiança das pessoas com valores baixos e dados reais dos veículos, obtidos possivelmente de vazamentos de dados ou falhas em sistemas”.

A expansão de novas tecnologias de pagamento costuma atrair a atenção de quadrilhas especializadas, que exploram o desconhecimento do público sobre o funcionamento exato das plataformas. Daniel Barbosa, especialista em cibersegurança da Eset Brasil, alerta para a tendência de intensificação dessas fraudes. “Criminosos aproveitam o momento para aplicar diversos tipos de golpes. Como boa parte da população não possui informações concretas sobre tal serviço, os criminosos criam mídias falsas para enganar as vítimas em potencial”.

Medidas preventivas são essenciais para identificar as tentativas de estelionato, começando pela verificação minuciosa do endereço eletrônico acessado. Barbosa recomenda cautela redobrada com links promovidos em buscadores. “Preste atenção ao endereço dos sites, que sempre será diferente da página oficial. Para evitar ser vítima, pesquise em sites de busca pela página oficial do serviço ou empresa que você está tentando acessar”.

A validação do destinatário do pagamento é outro ponto crucial de segurança. Transferências de pedágio devem ser direcionadas exclusivamente para as concessionárias oficiais. O aparecimento de nomes de pessoas físicas ou empresas desconhecidas no momento do Pix serve como um sinal claro de irregularidade. “Quanto mais chamar sua atenção, maior a chance do conteúdo não ser legítimo”.

Especialistas reforçam ainda a importância de evitar cliques em links recebidos por mensagens e manter softwares de proteção instalados nos dispositivos para bloquear atividades maliciosas em segundo plano. A recomendação padrão é digitar o endereço da concessionária diretamente no navegador.

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