Sarrubbo aponta falha na comunicação de projetos ao deixar Ministério da Justiça

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Gestor destaca legado no financiamento e integração das polícias, mas alerta para riscos da polarização no debate sobre segurança pública em ano eleitoral

Prestes a deixar a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) após dois anos à frente da pasta, Mario Sarrubbo faz um balanço de sua gestão no Ministério da Justiça. Embora destaque progressos legislativos e operacionais, o secretário reconhece que a divulgação das iniciativas voltadas à integração policial e ao fortalecimento institucional não alcançou a eficácia desejada. A avaliação é de que faltou uma estratégia mais consistente para evidenciar o trabalho que ultrapassa as pautas enviadas ao Congresso Nacional.

A percepção é de que houve uma lacuna na estratégia para evidenciar o trabalho desenvolvido além das pautas legislativas mais conhecidas. Sarrubbo relata um esforço final junto à imprensa para dar visibilidade a essas ações estruturantes. “Então isso foi um pouco frustrante, porque faltou muitas vezes uma comunicação mais contundente de projetos que a gente considera estruturantes para a segurança”.

O cenário para o ano eleitoral é visto com preocupação, sob o risco de o debate ser dominado por discursos simplistas em detrimento de propostas baseadas em evidências. A avaliação é de que o tema será central nas disputas políticas, mas com pouca profundidade técnica. “Segurança Pública, eu diria, é a maior vítima dessa polarização ideológica que nós vivemos hoje no Brasil”.

Existe um temor de que a busca por respostas imediatas e midiáticas se sobreponha a soluções transformadoras e de longo prazo. A sociedade demonstra cansaço e anseio por medidas de impacto. “A população hoje parece que não está querendo mais saber de ciência, está querendo saber de respostas fortes e não procura entender o que é uma resposta forte em termos de segurança pública”.

Legado estrutural e legislativo

Entre os principais legados da gestão, destacam-se o envio da PEC da Segurança Pública e do PL Antifacção, considerados os eixos legislativos da atuação. No entanto, há apreensão quanto a possíveis alterações nos textos durante a tramitação no Congresso, o que poderia desfigurar as propostas originais. “Acho que o texto hoje representa um retrocesso ao Susp, porque a proposta buscava fortalecer o sistema e permitir a construção de uma política nacional de segurança pública, que falta no Brasil”.

No campo estrutural, o destravamento de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública é apontado como uma vitória administrativa. A criação de redes interfederativas e programas de compras eficientes permitiu que valores antes empossados nos estados fossem efetivamente utilizados. “Em 2024, liquidamos mais recursos do que nos três anos anteriores, e em 2025 avançamos mais que no ano anterior. Os recursos começaram, de fato, a chegar”.

A integração entre as forças de segurança também avançou com a implementação de redes especializadas, como a Renorcrim, voltada ao enfrentamento de organizações criminosas. O modelo conecta unidades estaduais, Ministério Público e forças federais para atuar de maneira articulada. “Começamos com a Renorcrim, integrando Dracos, Gaecos e Ficcos, que hoje atuam de forma articulada”.

Restrições orçamentárias e continuidade

Alguns projetos planejados não atingiram o estágio esperado devido a limitações financeiras, incluindo um corte orçamentário expressivo no último ano. A intenção de replicar modelos integrados de fronteira em regiões estratégicas como Oiapoque e Tabatinga foi prejudicada pela falta de verba. “Nós ficamos com menos R$ 750 milhões. Isso acabou frustrando a implantação em outras regiões estratégicas”.

Apesar da saída, a expectativa é de continuidade das políticas públicas implementadas, com sinalizações favoráveis da nova equipe que assumirá a pasta. A transição tem sido marcada pelo diálogo sobre a manutenção de iniciativas como o programa Território Seguro. “A sinalização é muito positiva, tanto do ministro Wellington quanto do secretário Chico Lucas”.

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