Piloto acusado de agressão no DF é colocado em cela especial por risco
O empresário e piloto Pedro Turra, de 19 anos, deve cumprir prisão preventiva em uma cela isolada após decisão judicial que considerou haver risco à sua integridade física em razão da notoriedade do caso. Turra é investigado pela agressão que deixou um adolescente de 16 anos em coma no Distrito Federal.
O episódio ocorreu no bairro de Vicente Pires, em Brasília, e consta em gravações compartilhadas com as autoridades. Nas imagens, o piloto aparece empurrando o jovem, que perde o equilíbrio, bate na porta aberta de um veículo e perde a consciência, conforme apurado no inquérito.
Turra foi preso pela Polícia Civil na sexta-feira (30) e teve a prisão mantida em audiência de custódia realizada no sábado. O juiz responsável afirmou que o acusado deve permanecer separado dos demais detentos em razão do risco concreto à sua segurança decorrente da exposição pública do caso.
A defesa do adolescente em coma manifestou repúdio à decisão e apontou que a medida amplia a sensação de tratamento diferenciado.
“profundo desconforto o deferimento de cela especial, medida que reforça a sensação de privilégio e tratamento diferenciado, algo que, infelizmente, vem sendo observado desde o início do caso”
Em nota, os advogados da família do menor também acusaram as autoridades de favorecer Turra devido à posição social da família e cobram igualdade no tratamento judicial.
“A justiça deve ser igual para todos, sem distinções que afrontem o sentimento coletivo de equidade e respeito às vítimas”
A defesa de Turra, representada pelo advogado Eder Fior, enviou nota à imprensa relatando que o cliente sofreu ameaças de morte após a prisão e atribuiu responsabilidade a parte da atuação policial na exposição do caso.
“A defesa registra estarrecimento diante da espetacularização indevida promovida por delegado e agentes policiais, que, em conduta frontalmente incompatível com o Estado de Direito, teriam desrespeitado decisão judicial expressa que determinava a preservação da imagem do custodiado, expondo-o de forma degradante e potencializando riscos concretos à sua segurança e dignidade”
Segundo a defesa, Turra denunciou também que policiais responsáveis pela detenção descumpriram deveres de proteção ao custodiado, alegando que ele vem recebendo ameaças desde a prisão inicial.
O piloto chegou a ser detido no dia seguinte à agressão, mas teve a liberdade provisória concedida mediante pagamento de fiança de R$ 24 mil e passou a responder ao inquérito por lesão corporal em liberdade.
A nova prisão preventiva foi autorizada pela Justiça após a polícia apresentar provas de que Turra estaria envolvido em outras ocorrências de agressão. Em uma delas, ele teria usado um aparelho de choque elétrico contra uma adolescente de 17 anos para forçá-la a ingerir bebida alcoólica durante uma festa, e outro homem relatou ter sido agredido pelo piloto em junho do ano passado.
Após a repercussão do episódio, Turra foi desligado da competição de automobilismo Fórmula Delta, conforme informações apuradas no inquérito e em comunicados relacionados ao caso.

