Extrema-direita articula voto casado ao Senado em MS
Grupos da extrema-direita em Mato Grosso do Sul articulam o voto casado para o Senado e apostam na combinação entre Capitão Contar e Marcos Pollon nas eleições gerais. A movimentação envolve dois nomes classificados como “puros-sangue” desse campo ideológico e mira diretamente o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A articulação é conduzida fora do Estado e inclui interlocução em Brasília e no exterior. Segundo apuração do Correio do Estado, o desenho da dobradinha já foi tratado entre os dois pré-candidatos e discutido com ao menos dois líderes nacionais da extrema-direita.
Marcos Pollon, hoje filiado ao PL, deve migrar para o partido Novo em março. A mudança faz parte da estratégia para viabilizar a candidatura ao Senado. O deputado federal foi orientado por Eduardo Bolsonaro, apontado como padrinho político, a abandonar o projeto de disputar o governo do Estado e concentrar forças na corrida senatorial.
Pollon reduziu a exposição como possível candidato ao Executivo e abriu espaço dentro do Novo para outras filiações. Entre os nomes citados estão o deputado estadual João Henrique Catan e o empresário Jaime Valler. Ambos enfrentam resistência no PL e avaliam mudança de legenda.
Capitão Contar, por sua vez, mantém a pré-candidatura ao Senado pelo PL em Mato Grosso do Sul. O partido também abriga o ex-governador Reinaldo Azambuja, que assumiu o comando estadual da sigla no ano passado e também trabalha para disputar uma das vagas.
Tanto Contar quanto Azambuja receberam aval do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para concorrer ao Senado. A sinalização reforçou o rearranjo interno e elevou a tensão no campo da direita.
A estratégia digital da extrema-direita é apontada como fator de risco para candidatos que dependiam do segundo voto do eleitor bolsonarista. A dobradinha Contar-Pollon tende a concentrar esse eleitorado e reduzir espaço para nomes considerados mais moderados.
Rearranjo
O movimento pode afetar diretamente candidaturas como a de Reinaldo Azambuja e a do senador Nelsinho Trad, do PSD. Ambos ocupam posição à direita, mas fora do núcleo mais radical que impulsiona o voto casado.
No PSD, novas mudanças são avaliadas. O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e o secretário estadual Jaime Verruck, titular da Semadesc, são apontados como possíveis saídas da legenda, que integra a aliança do governador Eduardo Riedel.
O cenário local reflete ajustes no plano nacional. O PSD tem se afastado da família Bolsonaro e trabalha uma alternativa mais moderada à direita. Entre os nomes ventilados para a Presidência está Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, recém-filiado ao partido.
Em Mato Grosso do Sul, Nelsinho Trad busca a reeleição, mas enfrenta congestionamento dentro do arco de alianças formado por PL, PP, PSDB, Republicanos e PSD. A unção de Capitão Contar como candidato ao Senado pelo PL agravou a disputa interna.
Com dificuldades nesse grupo, Nelsinho avalia outros caminhos políticos. Uma aproximação com forças de centro e esquerda não é descartada. O cenário é facilitado pela presença do irmão, o ex-deputado federal Fábio Trad, filiado ao PT e apontado como nome da esquerda para enfrentar Eduardo Riedel.
