Governo deve entregar 400 unidades odontológicas móveis até março e alcançar 800 no total
O governo federal projeta a entrega de mais 400 unidades odontológicas móveis até março, somando 800 unidades novas desde o ano passado e com distribuição prevista para todas as unidades federativas, segundo informações prestadas no Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo.
Edson Hilan Gomes de Lucena, coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde e participante do evento no Expo Center Norte, contextualizou a medida e a ampliação do parque de atendimento. “No total, vamos somar 800 novas unidades móveis até março, que serão distribuídas para todas as unidades federativas”
As unidades integram o programa Brasil Sorridente, cuja meta é levar assistência bucal a populações com dificuldades de acesso, incluindo indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e assentadas, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde.
Em referência ao papel da política, o coordenador do ministério destacou seu alcance e obrigações. “O Brasil Sorridente, que é a política nacional de saúde bucal, tem o dever de levar cuidados para toda a população brasileira”
O formato das unidades é descrito pelo ministério como um consultório completo sobre rodas, equipado com aparelho de raio X, cadeira odontológica e instrumentos para restauração, extração e procedimentos preventivos, permitindo que equipes cheguem a territórios rurais, quilombos, assentamentos e áreas urbanas de difícil acesso.
No congresso, Lucena informou ainda que há planos para ampliar os procedimentos realizados a bordo das unidades, com inclusão de tratamentos de canal e prótese dentária por meio de fluxo digital. “Estamos fazendo um piloto para prótese dentária com fluxo digital no município de Cavalcante, em Goiás. Provavelmente na próxima semana estaremos lançando isso”
Ao detalhar a tecnologia e a logística do atendimento digital, o representante do ministério explicou como será o procedimento e a doação de equipamentos. “Com esse equipamento, a boca da pessoa é escaneada para impressão da prótese. No retorno, o paciente já sai com a prótese. Serão doados 500 kits de combo para o fluxo digital para diversos municípios do país”
Como exemplo do alcance das unidades, em setembro do ano passado Mâncio Lima, no Acre, recebeu uma das UOMs, o que ampliou o acesso de populações ribeirinhas ao tratamento. Equipes locais construíram uma balsa e instalaram a unidade sobre ela para atender comunidades por via fluvial.
O programa que originou as unidades móveis teve início no segundo mandato do governo Lula, em 2009, sofreu interrupção em 2015 e foi retomado em agosto do ano passado com investimentos do Novo PAC Saúde, de acordo com informações oficiais do Ministério da Saúde.
Um censo coordenado pelo professor e pesquisador Ângelo Giuseppe Roncalli Costa Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, avaliou a ação em 267 municípios que receberam unidades móveis até 2017 e mostrou impacto na ampliação do acesso aos serviços.
Ao avaliar os resultados do levantamento, o pesquisador sintetizou a contribuição das unidades móveis à atenção odontológica. “A importância é a ampliação do acesso”
O censo apontou, conforme o levantamento realizado antes da suspensão do programa em 2015, que gestores e dentistas relataram melhora expressiva no alcance dos cuidados em 75% das unidades em funcionamento. “Em 75% das unidades que funcionam, foi unânime o relato de gestores e dentistas sobre a ampliação do acesso. Uma fala muito comum deles era que uma determinada comunidade jamais ia ver um dentista se não fosse por essas unidades móveis”
A sequência de entregas e a introdução de tecnologias digitais nas unidades móveis serão acompanhadas pelo Ministério da Saúde e anunciadas em eventos e comunicações oficiais conforme forem validadas e implementadas.

