Irã enfrenta terceira semana de apagão digital e bloqueio a satélites

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O Irã ultrapassa a marca de duas semanas isolado digitalmente do restante do mundo após uma série de medidas governamentais iniciadas em 8 de janeiro. Ordens diretas foram enviadas a provedores e backbones para paralisar o funcionamento da rede local e interromper protocolos de borda. Tentativas de acesso externo a portais de notícias iranianos resultam em erros de conexão que indicam a impossibilidade de comunicação com os servidores do país.

Serviços de conexão via satélite de baixa órbita como a Starlink operaram por apenas três dias antes de serem neutralizados. O governo adotou estratégias agressivas que incluem o uso de equipamentos para interferência de sinal e a apreensão de dispositivos receptores. A repressão atingiu também os usuários com prisões e o bloqueio de VPNs através de inspeção profunda de pacotes de dados.

A duração deste bloqueio já supera episódios históricos como a interrupção de cinco dias ocorrida no Egito durante a Primavera Árabe. A vida cotidiana sofre impactos severos com a impossibilidade de realizar pagamentos de contas, acessar serviços públicos ou manter comunicação familiar. O isolamento forçado da infraestrutura tradicional abriu espaço para o uso de tecnologias alternativas de comunicação.

Aplicativos que dispensam a necessidade de conexão com a internet ganharam popularidade no cenário de restrição total. O Bitchat utiliza a tecnologia bluetooth para conectar aparelhos próximos e criar uma rede em malha capaz de transmitir informações. A ferramenta lançada em julho de 2025 permite que mensagens sejam repassadas de dispositivo para dispositivo até formarem uma teia de comunicação funcional em áreas densamente povoadas.

A segurança e a privacidade dos dados são os principais atrativos dessa solução em um ambiente de vigilância estatal. O sistema opera com criptografia e não realiza coleta de dados dos usuários, além de oferecer recursos de emergência para apagar históricos instantaneamente. O código aberto do software permitiu o desenvolvimento de versões customizadas como o Noghteha que tem sido amplamente adotado pela população iraniana nos últimos dias.

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