Toffoli aponta fartos indícios de novos crimes envolvendo o Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou uma etapa adicional da Operação Compliance Zero ao avaliar existirem “fartos indícios” de que os investigados ligados ao Banco Master continuam a praticar crimes, entre eles o próprio dono da instituição, Daniel Vorcaro.
Na decisão que liberou a ação da Polícia Federal, o relator registrou incômodo com a execução tardia das medidas, que deveriam ter sido cumpridas até o dia 13 de janeiro e ocorreram um dia depois, e determinou medidas que incluem a prisão preventiva de Fabiano Campos Zettel e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens.
Toffoli apontou a necessidade de urgência e aprofundamento das apurações antes de inserir trecho integralmente na decisão
“diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”
O ministro também registrou que a demora nas diligências lhe causou “espécie” e alertou para o risco de comprometimento das provas, indicando que outros investigados poderiam estar alterando documentos ou patrimônio relevantes para o esclarecimento do caso.
“posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaracterizando as provas essenciais ao deslinde da causa”
Toffoli dirigiu críticas à Polícia Federal ao mencionar, também em sua decisão, a existência de “falta de empenho no cumprimento da ordem judicial”.
A prisão preventiva de Zettel ocorreu de madrugada no Aeroporto de Guarulhos, quando ele tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos, e as demais diligências foram iniciadas a partir das 6h do mesmo dia.
Ao todo, a operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, entre eles ordens contra o empresário Nelson Tanure, gestor de fundos ligados ao Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.
Segundo as investigações, as medidas miram supostos desvios de recursos do sistema financeiro destinados a alimentar patrimônio pessoal dos investigados. Durante as buscas foram apreendidos veículos de luxo, outros bens e mais de R$ 90 mil em espécie.
Em nota, a defesa do dono do Master informou posicionamento sobre a colaboração com as autoridades
“Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.”
Em novo trecho da nota, a defesa reafirmou disponibilidade do empresário para esclarecimentos
“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”
Contexto e antecedentes
Em novembro do ano passado, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro já haviam sido alvo da Operação Compliance Zero, que apura a concessão de créditos falsos. As investigações estimam que as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.
Em março de 2025 o BRB anunciou intenção de adquirir o Master por R$ 2 bilhões, proposta que foi rejeitada pelo Banco Central. Em novembro foi decretada a liquidação da instituição controlada por Vorcaro.
A Agência Brasil informou que busca contato com as defesas dos demais citados e deixou espaço aberto para manifestações.

