Ambulante diz que foi forçado a gravar vídeo de desculpas após agressão de vereador em Corumbá
O vendedor ambulante José Elizeu Lara, 41 anos, que foi agredido pelo vereador Élio Moreira Junior(43), no centro de Corumbá afirmou, em novo vídeo divulgado nas redes sociais, que foi obrigado a gravar uma declaração pedindo desculpas após procurar a Delegacia de Polícia Civil.
Segundo o relato público, ele teria recebido R$ 100 para apagar as imagens da agressão e afirmar que a situação havia sido resolvida, o que, de acordo com ele, não ocorreu de forma voluntária. (veja o vídeo abaixo)
O caso teve repercussão após a circulação de vídeos que registraram o momento em que o vereador derrubou a bicicleta e o isopor utilizados pelo ambulante para a venda de salgados, na tarde deste sábado (27), na região central da cidade. As imagens mostram a discussão e a destruição do material de trabalho do vendedor após um desentendimento relacionado à ocupação do espaço público em frente ao estabelecimento comercial do parlamentar.
No novo vídeo, gravado após a repercussão do caso, o ambulante afirma que, ao chegar à delegacia, foi informado de que estaria errado por vender os produtos em frente ao comércio do vereador. Na gravação, ele declara que foi induzido a fazer o vídeo de retratação que circulou anteriormente.
“Eu fui forçado a fazer esse vídeo, entendeu? Ele me deu 100 reais e aí o policial falou para mim que, se eu fizesse isso, nada iria acontecer comigo”, disse o vendedor na gravação divulgada nas redes sociais.
Relato sobre delegacia e apagamento das imagens
Ainda segundo o ambulante, a gravação do pedido de desculpas e a exclusão dos vídeos das redes sociais teriam ocorrido por medo das consequências. No vídeo, ele afirma que tanto o vereador quanto um policial teriam exigido que as imagens fossem apagadas.
“Eu fui forçado tanto pelo vereador como pelo policial, e ainda o policial fez eu apagar o vídeo da rede social”, declarou.
O vendedor também cita que aceitou gravar a retratação por temer represálias, mencionando que tem esposa e filhos. No mesmo vídeo, ele afirma que sua bicicleta e o suporte utilizados para o trabalho permanecem danificados após a agressão registrada em vídeo.
Na gravação, o ambulante agradece o apoio recebido de pessoas que contribuíram após a divulgação do caso e reforça que decidiu falar novamente para esclarecer as circunstâncias em que a declaração anterior foi feita.
Vítima vira autor e agressor suspeito
Conforme já noticiado, apesar de o vendedor ter sido agredido, o boletim de ocorrência ao qual o Folha MS teve acesso, qualificou o ambulante como autor, enquanto o vereador, flagrado em imagens e vídeos cometendo a agressão, foi registrado apenas como suspeito.

De acordo com a Polícia Civil, o caso segue sob investigação com oitiva das partes envolvidas. Ainda segundo a autoridade policial, o registro realizado pela Polícia Civil, implica as duas partes como suspeitos e sobre a suposta participação do agente, o caso também segue sendo analisado e caso seja comprovado, encaminhado para corregedoria.
Retratação
Também por meio da sua rede social, o vereador Elio Moraes Junior, reconheceu as agressões, mas disse que agiu “de cabeça quente”. No vídeo o parlamentar voltou a afirmar que a situação, no entanto, teria sido “resolvida”.
*matéria editada para acréscimo do posicionamento sobre o boletim de ocorrência da Polícia Civil.
