Consórcio Guaicurus diz que salário é insuficiente para fazer frota voltar a rodar

onibus 2 Consórcio Guaicurus

Três dias de paralisação dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande permanecem, depois que o Consórcio Guaicurus reconheceu ter recebido parte do repasse municipal, porém informou que os valores não foram destinados exclusivamente ao pagamento de salários atrasados.

O consórcio aponta que são necessários R$ 2,7 milhões para quitar 50% do salário de novembro, que segue em atraso, e que o montante aproximado de R$ 3 milhões recebido incluía repasses de meses anteriores; parte desses recursos foi utilizada para cobrir despesas tidas como essenciais à operação do sistema.

O diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, Themis Oliveira, ponderou que a quitação dos vencimentos sem garantia de outros elementos operacionais não assegura o retorno da frota.

“O pagamento dos salários, por si só, não garante a circulação dos ônibus.”

Conforme divulgado pelo município, a Prefeitura de Campo Grande contestou a explicação do consórcio e afirma ter repassado mais de R$ 3 milhões ao Consórcio Guaicurus, sustentando que não há débitos pendentes com a concessionária.

A paralisação ocorre em consequência de atraso no pagamento de salários, dos vales e do 13º, e os motoristas reivindicam a quitação integral dos valores e melhorias nas condições de trabalho.

Na terça-feira, 16, foi realizada uma audiência de conciliação na Justiça do Trabalho com a participação da Prefeitura, do Consórcio Guaicurus e do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano da Capital; a Justiça determinou o retorno ao trabalho na quarta-feira, decisão que a categoria não acatou.

O presidente do sindicato, Demétrius Ferreira, orientou que os trabalhadores retomassem as atividades, mas relata que a categoria decidiu manter a greve enquanto não houver o pagamento dos valores reivindicados.

“Enquanto o Consórcio Guaicurus não efetuar o pagamento que está condicionado a voto dos trabalhadores, mesmo com toda a fala dos desembargadores, falando da legislação, que tem que rodar. O trabalhador está revoltado, não vai voltar. Vai seguir com a greve”

Durante a audiência a Justiça fixou percentuais mínimos de operação da frota conforme horários; das 6h às 8h30 a circulação deveria ser de 70%, das 8h30 às 17h o percentual foi de 50%, das 17h às 20h voltou para 70% e após esse horário ficou em 50%.

Foi estipulada multa diária de R$ 200 mil ao sindicato em caso de descumprimento, e, no momento em que o desembargador anunciou a penalidade, os motoristas deixaram o plenário.

O consórcio também alega que o município não efetuou a totalidade dos repasses necessários para manter o equilíbrio do contrato de concessão do transporte coletivo, o que complica a gestão financeira da operação.

A divergência entre as partes permanece, com o serviço afetado e sem prazo definido para normalização enquanto as negociações e as cobranças judiciais seguem em andamento.

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andorinha Consórcio Guaicurus

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