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Ferrovia Malha Oeste registra fim do transporte de minérios após última viagem

Ferrovia Malha Oeste encerra transporte de minérios, impactando trabalhadores e logística em Corumbá. Veja impactos e futuro da via.

A Ferrovia Malha Oeste realizou na segunda-feira a sua última viagem de transporte de minérios entre o distrito de Antônio Maria Coelho e o Porto Esperança, em Corumbá, em um trecho de 46 quilômetros, e com isso foi anunciada a desativação de outros 41 quilômetros que ligavam o distrito à cidade de Corumbá.

A interrupção do serviço foi comunicada oficialmente por representantes da Rumo ao sindicato dos ferroviários durante videoconferência realizada na terça-feira seguinte e consta em ata da reunião.

Impacto imediato sobre trabalhadores e logística

Com o encerramento da circulação de minérios no trecho que seguia ativo da histórica ferrovia, o sindicato aponta demissões em massa entre os poucos ferroviários remanescentes na região.

Roberval Duarte Placce, presidente do sindicato dos ferroviários, informou que restavam cerca de 90 trabalhadores. Ele detalhou que o quadro de saída e transferência de empregados se deu “devido ao custo financeiro”

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Aumento do tráfego de carretas gera riscos de acidentes na BR-262

De acordo com a ata da reunião com a Rumo, o contrato com a LHG Mining – MRC- Mineração Corumbaense, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, foi encerrado.

O sindicato calcula que aproximadamente 30 profissionais já tenham sido demitidos, outros 30 estão sendo transferidos para cidades onde a Rumo opera e o destino do restante ainda não foi definido.

A empresa LHG despachou 4,2 milhões de toneladas de minérios pelo Rio Paraguai nos primeiros nove meses deste ano a partir do terminal Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança, volume que até então era transportado quase integralmente por trem ao longo dos 46 quilômetros.

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Se todo esse volume tivesse sido deslocado por rodovias, seriam necessárias pelo menos 84 mil viagens de carretas bi-trem com capacidade média de 50 toneladas, equivalendo a uma média de 310 viagens diárias, considerando somente o sentido ida.

Além da pressão sobre a BR-262, há preocupação com a ponte sobre o Rio Paraguai, que liga a margem onde se extrai o minério ao Porto Esperança.

“Os acidentes já constantes atualmente. Imagina a partir de agora, com todos estes caminhões naquela rodovia. E isso sem falar sobre as condições da ponte sobre o Rio Paraguai. Será que ela vai aguentar todas essas carretas?”, argumentou.

O trajeto rodoviário necessário envolve cerca de 45 quilômetros pela BR-262 e mais 11 quilômetros por estrada sem asfalto, trecho que recentemente recebeu pontes de concreto e aterro para evitar submersão durante enchentes no Pantanal.

Por ora, o impacto imediato nas rodovias é atenuado pela baixa do Rio Paraguai, que deixou o transporte fluvial praticamente suspenso desde meados de outubro e só deve ser retomado em janeiro ou fevereiro.

Contexto operacional e histórico

A Rumo responde pela administração da ferrovia desde 2015 e, conforme registrado em ata, a decisão de encerrar o contrato com a mineradora foi justificada pela empresa como uma medida por custo.

“Por conta da ganância da Rumo. Eles metem a faca nos clientes para que eles desistam do transporte ferroviário e assim a empresa Rumo possa abandonar aquilo que ainda restava da Malha Oeste”

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foi inaugurada oficialmente em 1914, após a união de frentes de obra iniciadas em 1908 na margem esquerda do Rio Paraguai com canteiros em direção a Campo Grande. Em 1952 a ferrovia alcançou Corumbá.

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Em 1937 foi decidida a construção da ponte ferroviária sobre o Rio Paraguai para interligar o trecho brasileiro a uma ferrovia em construção na Bolívia. As obras da ponte na região pantaneira se estenderam por cerca de dez anos.

Hoje a linha prossegue até Santa Cruz de La Sierra na Bolívia, por mais de 600 quilômetros. Na faixa brasileira o traçado internacional corresponde a aproximadamente cinco quilômetros e nessa parcela o transporte segue em operação, segundo o presidente do sindicato.

O único cliente atendido no lado brasileiro pela Rumo é a ArcelorMittal, que no ano passado embarcou 144 mil toneladas de vergalhões e chapas de aço em Corumbá com destino à Bolívia. Esse material é levado por caminhões de São Paulo até Corumbá para ser colocado em trens naquele ponto.

Na década de 1980 o sindicato presidido por Roberval chegou a reunir 3,1 mil associados que atuavam entre Bauru e Corumbá. Atualmente há apenas 116 filiados e a entidade admite que pode encerrar atividades na região diante do desaparecimento quase total da atividade ferroviária.

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O trecho remanescente da Malha Oeste foi incluído pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT no calendário de concessões para 2026 com edital previsto para abril e leilão em julho. O concessionário vencedor terá de investir R$ 35,7 bilhões para recuperar os 1.973 quilômetros entre Corumbá e Mairinque.

O fechamento definitivo do transporte de minérios marca o fim de uma etapa centenária da ferrovia e submete a região a mudanças imediatas na logística, na ocupação do espaço viário e no mercado de trabalho ligado ao setor.

As informações são do Correio do Estado

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