Espetáculo com elenco cego estreia em Corumbá

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O espetáculo “O que os olhos veem o coração sente?” estreia neste dia 19 de maio em Corumbá (MS). A primeira apresentação será exclusiva para alunos da escola Júlia Gonçalves Passarinho e terá início às 12h30. 

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As apresentações abertas ao público geral acontecem no dia 20, 21 e 22 de maio com entradas gratuitas em diferentes pontos da cidade. 

Na sexta-feira, 20 de maio, acontece uma apresentação às 15h e às 19h na Praça da República.  

No sábado, 21 de maio, a programação começa às 9h da manhã, com um Workshop sobre a acessibilidade no teatro para deficientes visuais, que ocorrerá no Instituto Moinho Cultural. O Workshop será gratuito, com a duração de 3 horas para um público de no máximo 200 pessoas. Essa ação terá o objetivo de transformar o olhar das pessoas em relação à deficiência visual, agregando novos conhecimentos e percepções sobre a inclusão dessas pessoas ao meio artístico.

Às 19h do mesmo sábado, também no Moinho Cultural, ocorre o 3º dia da apresentação do espetáculo teatral.  

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O último dia de apresentação será no domingo, 22 de abril, às 19h, também no Instituto Moinho Cultural, localizado na Rua Domingues Sahib, número 300, no Bairro Beira-Mar.

O patrocínio é do Instituto Cultural Vale, através da Lei de Incentivo para Cultura, da Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo – Governo Federal, por isso, a estreia deve acontecer numa cidade onde a Vale tenha atividade, o caso de Corumbá.  

O PROJETO

 “O que os olhos veem o coração sente?” é um espetáculo teatral que selecionou seu elenco durante uma oficina de teatro que aconteceu de 7 a 11 de fevereiro, das 18h às 20h no Instituto Sul Matogrossense para Cegos Florivaldo Vargas (Ismac), em Campo Grande (MS). 

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A oficina foi a 1ª etapa do projeto e teve carga horária total de 10h. A oficina teve como objetivo principal achar o elenco do espetáculo que esteve sendo produzido ao longo de 3 meses.  

Alexandre comentou que a oficina de fevereiro foi exclusiva para pessoas cegas ou que tivessem algum grau de dificuldade de visão.

“Poderiam se inscrever pessoas do Ismac ou pessoas cegas que não estivessem lá também. As pessoas com visão reduzida também se inscreveram. A oficina foi exclusiva para esse público e escolhemos 99% dos atores totalmente sem visão, apenas um dos selecionados, têm a chamada, baixa visão”, explicou.

Cerca de 32 pessoas se inscreveram na oficina e 5 delas foram selecionadas para estarem no elenco do espetáculo que chega a Corumbá. 

Conforme Alexandre, a apresentação acontecerá em Corumbá, pois é onde a patrocinadora do projeto atua.

“Será apresentado em Corumbá porque lá tem a sede da Vale, que é a patrocinadora, o edital era para onde a Vale tem sede, então, propusemos 4 apresentações em espaços públicos e 2 em teatro”, comentou.

As apresentações devem ser realizadas num prazo de 4 dias. “A proposta é que façamos 2 apresentações por dia, talvez precisemos de mais alguns dias, mas a proposta inicial é essa”, disse, complementando que todos os atores/atrizes estão sendo devidamente remunerados pelo trabalho.

A PEÇA

No enredo da peça, Lucas, de 25 anos, que trabalha no setor financeiro e acabou de se casar, está saindo do trabalho e se sente incomodado pela claridade da luz do dia que embaça sua visão. Ao sair pela porta do prédio, Lucas caminha pela rua, compreendendo que não consegue ver por onde passa. Conforme a história, Lucas se consultará com vários médicos e será comunicado da perda permanente da sua visão. O público, então, acompanhará os processos de reabilitação e tudo de novo que a perda da visão trás para a vida de Lucas.

A ideia do roteiro do espetáculo nasceu de uma conversa entre Alexandre e seu tio Delci Francisco, de 55 anos. “Já faz alguns anos, o meu tio me parabenizava por uma apresentação que fiz, mas aí ele me disse que era uma pena que nunca iria conseguir me ver em cena. Aquilo mexeu comigo profundamente. Me fez refletir! De fato, a grande maioria dos espetáculos aqui, de teatro, os filmes, não tem acessibilidade, não tem audiodescrição, nada. Aí eu comecei a pensar no projeto, só que ao invés de fazer algo apenas acessível para eles, eu quis fazer um espetáculo que leve o público para o mundo deles, que o público possa sentir o mundo como eles sentem, assim nasceu o espetáculo”, disse.

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