Rebeca Andrade retoma treinos visando Paris-2024

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Paulista fica à frente do Comitê Russo, que tem tradição na modalidade
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As fotos em suas redes sociais mostram a realização de um sonho de infância: conhecer os famosos parques da Disney nos Estados Unidos. A ginasta Rebeca Andrade conseguiu, aos 22 anos, ter a alegria de visitar os lugares que faziam parte de sua imaginação desde pequena. Ela foi para lá de férias, após a sensação de dever cumprido na temporada mais vitoriosa de sua carreira, que incluiu os títulos olímpico e mundial no currículo. Nos rosto ainda de menina, seus feitos são de gente grande, a ponto de receber cumprimentos de Simone Biles e também da lenda Nadia Comaneci.

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Se antes dos Jogos de Tóquio, Rebeca era conhecida apenas pelos amantes da modalidade e por especialistas, depois de conquistar uma medalha de ouro e uma de prata no Japão, a menina de gestos precisos e limpos retornou ao Brasil como celebridade e teve sua vida transformada. Participou de programas de televisão e eventos dos mais diversos, multiplicou o número de patrocinadores e parceiros, viu crescer a quantidade de seguidores nas redes e se tornou um dos maiores nomes do esporte no Brasil na atualidade. Seu rosto está por aí, como naquelas telas colocadas em muitos elevadores de prédios que exibem notícias e propagandas. Rebeca virou uma estrela.

A atleta nasceu em Guarulhos, na Grande São Paulo, e iniciou na ginástica artística aos 4 anos. Sua tia trabalhava no ginásio e contou para a menina que estava tendo um processo seletivo para novas ginastas. “Eu fui lá e fiz as coisas que pediam com muita facilidade. Isso acabou chamando a atenção deles e passei nessa peneira”, contou.

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De família humilde, desde o começo precisou batalhar para se manter no esporte, por causa das dificuldades financeiras dos pais. A mãe trabalhava como diarista e muitas vezes ia a pé para o serviço para deixar o dinheiro da condução para a filha poder treinar. Segundo Francisco Porath Neto, técnico da atleta, a ginasta sempre mostrou força para vencer os desafios.

“A chave é não ter desistido em nenhum momento. No primeiro obstáculo, que achávamos enorme, não desistimos, depois veio um maior ainda, mas continuamos persistindo. Se for contar desde o começo, os obstáculos eram enormes. Falta de estrutura, a gente teve de sair de onde estávamos e a Rebeca teve de ir com a gente. Até chegar em uma estrutura que temos hoje do Comitê Olímpico, demorou um certo tempo. Muitas atletas desistem e não passam dessa etapa”, revela o treinador.

A mãe se virava para manter a família de sete filhos, e para conseguir que Rebeca treinasse. Deixou a menina morar com a tia, com o técnico, com a coordenadora e ainda com outras atletas. Dona Rosa confessa que recebeu muitas críticas por isso, mas sempre manteve a cabeça aberta para deixar a filha seguir seus sonhos.

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O talento de Rebeca era evidente, mas as lesões atrapalharam bastante. Ela foi submetida a três cirurgias no joelho direito, a última delas extremamente complicada. Até por isso, a ginasta reforçou a importância do trabalho emocional. “Precisa ter a cabeça muito boa, pois ficar longe da ginástica é muito difícil. Uma cirurgia dessas são oito meses para voltar”, diz porque passou por isso.

Dessa forma, o adiamento dos Jogos de Tóquio por causa da pandemia de covid-19 foi uma boa notícia para Rebeca, que pôde treinar mais e se recuperar das lesões. “O adiamento foi muito bom, pois se a Olimpíada fosse em 2020 seria muito arriscado.” Se nos Jogos do Rio, quando tinha apenas 17 anos, ela ficou na 11ª posição no individual geral e viu Simone Biles, dos Estados Unidos, fazer história, em Tóquio ela chegou saudável para brilhar.

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