Sindicato mantém paralisação e visitas no presídio masculino de Corumbá são suspensas

Familiares dos presos na frente do presídio masculino; visitas foram suspensas / Fotos: Erik Silva

Corumbá (MS)- Familiares de presidiários que cumprem pena no Estabelecimento Penal Masculino de Corumbá, não puderam adentrar a unidade para visita neste domingo. A decisão partiu do sindicato dos servidores penitenciários que no meio da semana já havia divulgado a mobilização com o intuito de chamar a atenção do governo em relação ao descaso e a falta de infraestrutura para garantir a segurança dos agentes e detentos dentro que cumprem pena nos presídios.

Segundo o presidente do sindicato André Luiz Santiago, a adesão ao movimento ocorreu em todas as 54 unidades prisionais do estado. Em Corumbá, apenas o presídio feminino manteve as atividades previstas para este domingo sem alteração, e autorizou a entrada de familiares e entrega de mantimentos.

Duas viaturas da Polícia Militar estão sendo mantidas em frente as unidades e policiais permanecem de prontidão.

Duas viaturas e policiais estiveram de prontidão na unidade na manhã deste domingo

Alguns familiares dos presos, dizem ter sido pegos de surpresa com a paralisação, como o caso de L.R.A de 34 anos, que veio de Campo Grande para visitar o marido, preso na unidade há um mês. “Vim com meus dois filhos, um de 15 e outro de 5 anos, saímos ontem a tarde de Campo Grande simplesmente para nada. Além do transtorno com a viagem, tivemos um gasto com a viagem, a alimentação que trouxemos, enfim, essa seria minha segunda visita, só viemos mesmo porque ficamos sabendo que saiu uma decisão suspendendo a paralisação, mas vamos ter que voltar”, disse.

Já M.R.G.B de 34 anos, veio de Ladário para visitar o companheiro preso na unidade há cinco anos. “Não é todo final de semana que temos condições de vir aqui visitar nossos familiares, e hoje que preparamos tudo, acordamos cinco da manhã para fazer comida, nem mesmo a alimentação disseram que poderia ser entregue, enfim, o jeito é voltar para casa”, contou.

Visitas no estabelecimento penal feminino foram mantidas

A paralisação

Em assembleia, os servidores decidiram por paralisar os trabalhos por 24 horas, nas 54 unidades prisionais do Estado. Os banhos de sol serão suspensos, assim como, as visitas, entrega de alimentação, liberação de presos dos regimes aberto e semiaberto para visitação em domicílios, e atendimento de advogados.

Segundo o presidente do Sinsap (Sindicato dos Servidores de Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul), André Luiz, “Paralisar o trabalho é a única forma de pressionar o Governo para garantir o mínimo de segurança e condições de trabalho”, explica.

O Sindicato afirma ainda que a categoria recebe um dos piores pisos salariais do país, e o menor da segurança pública em Mato Grosso do Sul. Atualmente, um agente penitenciário trabalha 24h por 72 h com vencimento base de R$ 3,1 mil.

Estamos trabalhando acima do limite. Todos os dias temos um pouco mais de 200 agentes para cuidar de uma massa carcerária que é considerada a maior do país”, fala Santiago. Ainda de acordo com ele a falta de segurança é um dos fatores principais, principalmente, depois de dois atentados contra servidores, cinco envenenamentos e sete agentes marcados para morrer.

Mato Grosso do Sul tem 1.600 servidores e 900 fazem a custódia dos cerca de 16 mil detentos. O déficit de servidores atinge 13 mil agentes, e de acordo com o sindicato faltam quase 12 vezes o número suficiente de agentes.

Uma decisão do Tribunal de Justiça concedida no dia seguinte ao anuncio da paralisação, considerou ilegal o movimento alegando riscos de rebeliões nos presídios do estado.

De acordo com o Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de MS), a notificação da decisão do desembargador Paschoal Carmello Leandro, não chegou ao sindicato. O descumprimento da decisão judicial, conforme o desembargador, acarretará multa diária de R$ 50 mil. No entanto, em razão da não notificação do Sinsap, sindicalistas afirmam que o movimento é legal.

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