Polícia paraguaia mirava tráfico, mas prendeu só motoristas de caminhões de cigarro

Brasileiros e paraguaios presos hoje na Colônia Cerro Cora’i (Foto: Divulgação)

A ação da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, hoje (7) na Colônia Cerro Cora’i, a dois mil metros da Linha Internacional e a 7 km do centro de Pedro Juan Caballero, está sendo tratada pela imprensa da fronteira como uma trapalhada.

O órgão do governo chegou a informar que os brasileiros presos seriam membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), mas são apenas motoristas de caminhões, que pegariam cargas de cigarro paraguaio para trazer ao Brasil.

De acordo com o jornal ABC Color, a Senad e a Polícia Nacional ainda não divulgaram detalhes da operação, mas informações não oficiais revelam que a ação tinha como objetivo desmontar um grande depósito de cocaína operado pela facção brasileira. Entretanto, no local foram encontrados 19 caminhões carregados com cigarro fabricado no Paraguai e que seria enviado para o Brasil.

Foram 28 presos, 16 paraguaios e 12 brasileiros. Os paraguaios seriam trabalhadores braçais que carregavam as carretas e os brasileiros motoristas dos caminhões. O fato de alguns brasileiros terem tatuagens foi suficiente para serem considerados membros do PCC, contou uma fonte da fronteira.

A Senad apreendeu no acampamento duas pistolas e um fuzil M4 calibre 5.56 mm. As armas seriam dos seguranças do local e teriam registro.

Já a suposta troca de tiros não teria ocorrido, segundo policiais que acompanham o caso. Agentes da Senad teriam feito disparos para o alto quando os motoristas e carregadores começaram a correr, assustados com a operação.

Ainda de acordo com o ABC Color, o cigarro era da empresa Tebesa (Tabacalera del Este), que pertence ao presidente do Paraguai, Horário Cartes. Após a informação sobre a operação chegar ao conhecimento de Cartes, a Senad se calou sobre o caso.

O promotor antidrogas Hugo Volpe, responsável pela operação, não foi encontrado pela imprensa paraguaia para falar sobre o caso. O transporte do cigarro não é crime, já que o produto é fabricado no Paraguai. O contrabando só se configuraria se os caminhões fossem apreendidos no lado brasileiro.

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