MP diz que policial antecipou operações a ex-presidente de hospital em Sidrolândia
A policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho teria repassado informações sobre ações policiais e operações do Gaeco ao então presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuvis Breure, segundo relatório usado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul na segunda fase da Operação Dirty Pix. Os dois foram presos durante a ofensiva realizada em 7 de outubro.
Uma das mensagens analisadas é de 28 de junho de 2023, quando Cristina teria informado que o Gaeco realizaria uma operação em Sidrolândia dentro de sete dias e que a ação “prenderia meio mundo”. A investigação relaciona a conversa à segunda fase da Operação Tromper, realizada em 21 de julho daquele ano, com nove mandados cumpridos e quatro prisões. Jacob e o hospital não estavam entre os alvos daquela operação.

Outros contatos encontrados pelos investigadores indicam que o fluxo de informações teria começado meses antes. Em abril de 2023, conforme o relatório, Cristina avisou Jacob sobre a chegada de policiais de Campo Grande para uma operação em Sidrolândia e abriu espaço para que ele apresentasse pedidos relacionados à atuação da equipe.
A influência atribuída ao ex-presidente do hospital também aparece em um episódio de maio de 2023. Após uma denúncia envolvendo um médico da unidade, o MP sustenta que Jacob utilizou a relação com a policial para obter a identificação do denunciante antes do avanço das medidas oficiais.
Em dezembro do mesmo ano, um funcionário da Global Transporte, empresa ligada ao grupo empresarial controlado por Jacob, foi preso após disparos em via pública. A investigação afirma que a esposa do detido procurou o empresário e, menos de uma hora depois, ele já repassava informações sobre providências que seriam adotadas dentro da Polícia Civil.
O relatório da Dirty Pix atribui a Cristina pedidos de pagamento de combustível e outras despesas da delegacia, além do custeio de aluguel para policiais lotados na unidade. Para o Ministério Público, esses repasses faziam parte de uma relação de vantagens mantida com Jacob.
Cristina foi afastada das funções depois da operação. Jacob, ao ser preso, negou irregularidades.
A segunda fase da Dirty Pix cumpriu três mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em Sidrolândia, Campo Grande, Maracaju e Selvíria. Segundo o MPMS, a investigação mais ampla apura desvios que ultrapassam R$ 18 milhões em recursos destinados ao hospital, além de indícios de medidas adotadas para dificultar as investigações.
