Mais de 33 milhões não votam e abstenção chega ao maior nível de um primeiro turno
Mais de 33 milhões de brasileiros deixam de votar no primeiro turno das eleições de 2026 e levam a abstenção ao maior percentual já registrado nesta etapa da disputa eleitoral. Com 99,2% das urnas apuradas neste domingo (4), 21,07% dos eleitores aptos não haviam comparecido aos locais de votação.
O número de ausentes chegava a 33,1 milhões e supera o resultado das eleições presidenciais de 2022. Há quatro anos, 32,7 milhões de brasileiros deixaram de participar do primeiro turno, quando a taxa de abstenção ficou em 20,79%.
A diferença percentual é pequena entre os dois pleitos, mas mantém uma sequência de crescimento no não comparecimento às urnas nas eleições gerais. Desde 2006, a taxa aumentou aproximadamente 4,2 pontos percentuais.
São Paulo, maior colégio eleitoral do país, registrou abstenção de 22,54% neste domingo, percentual acima da média nacional.
O comportamento dos eleitores que não compareceram em 2026 ainda não pode ser detalhado por idade, escolaridade ou sexo porque os dados específicos do primeiro turno deste ano não estavam disponíveis até a noite deste domingo.
Os números da eleição anterior, no entanto, mostram diferenças relevantes entre os grupos. Em 2022, os homens apareciam proporcionalmente mais entre os ausentes, assim como eleitores com menor grau de instrução e pessoas entre 21 e 29 anos.
Também havia alta abstenção entre pessoas acima dos 70 anos, grupo para o qual o voto é facultativo. Naquele primeiro turno, 52% dos eleitores analfabetos deixaram de comparecer às urnas, enquanto entre aqueles com ensino superior completo a taxa ficou em 12,4%.
Ausência cresce nas eleições gerais
A alta de 2026 amplia uma tendência observada nas últimas eleições presidenciais. O primeiro turno de 2022 já havia levado o país ao maior nível de abstenção em décadas, e o resultado deste domingo supera novamente aquele percentual.
No segundo turno de 2022, porém, o movimento foi diferente. A abstenção recuou para 20,57%, em meio à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).
Especialistas ouvidos na análise sobre o crescimento das ausências apontam que não existe uma explicação única para o fenômeno. Entre as hipóteses aparecem dificuldade de acesso aos locais de votação, principalmente em áreas mais isoladas, desatualização do cadastro eleitoral e menor disposição de parte do eleitorado para participar do processo.
O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados com idade entre 18 e 70 anos. Para analfabetos, pessoas de 16 e 17 anos e eleitores acima de 70 anos, a participação é facultativa.
Quem não compareceu pode justificar a ausência por meio dos canais da Justiça Eleitoral. A falta sem justificativa dentro do prazo gera multa de R$ 3,51 por turno, e três ausências consecutivas sem regularização podem levar ao cancelamento do título.
Em 2025, aproximadamente 5 milhões de títulos eleitorais foram cancelados após eleitores acumularem faltas em três pleitos sem apresentar justificativa ou regularizar a situação.
Outra mudança observada ao longo das últimas eleições ocorre nos votos inválidos. Enquanto a abstenção cresce, a participação de votos brancos e nulos diminuiu em diferentes disputas. Em 2018, brancos e nulos somaram 8,79% dos votos, diante de 10,39% registrados em 2002.
Os dados consolidados sobre quem deixou de votar em 2026 ainda dependem da conclusão da totalização e da divulgação das estatísticas detalhadas pela Justiça Eleitoral.
