Polícia apura denúncias de maus-tratos em espaço infantil de Nova Andradina

Denúncias de agressões e tratamento inadequado contra crianças passaram a ser investigadas pela Polícia Civil e acompanhadas pelo Conselho Tutelar em Nova Andradina, depois que relatos, imagens e um áudio atribuídos a pessoas ligadas a um estabelecimento particular começaram a circular. Entre as acusações estão tapas, puxões, banho com água fria e crianças colocadas para dormir no chão. A reportagem foi publicada pelo Campo Grande News.

Fotografias divulgadas junto às denúncias mostram menores deitados sobre placas de EVA e estruturas usadas para descanso com sinais de desgaste, enquanto outros registros exibem mamadeiras, copos e utensílios infantis guardados próximos a produtos de limpeza. As imagens também mostram pontos deteriorados em paredes, pisos e equipamentos utilizados no atendimento.

Segundo os relatos enviados aos órgãos responsáveis, algumas crianças teriam sido apertadas pelos braços e pelos cabelos durante a permanência no espaço, além de serem obrigadas a continuar comendo mesmo quando recusavam a alimentação. As acusações ainda dependem de confirmação por meio dos depoimentos e das demais provas reunidas pela Polícia Civil.

Um áudio atribuído a uma criança que frequentava o local inclui a afirmação de que os banhos eram feitos com água fria mesmo em dias de temperatura baixa, além de mencionar o uso de um borrifador quando algum menor não obedecia ou não conseguia dormir. No mesmo relato, a criança diz ter sido apertada pelo braço, informação que também será analisada durante a investigação.

Outra denúncia envolve os cuidados dispensados a uma criança autista e afirma que procedimentos de higiene eram realizados de forma inadequada, enquanto mensagens encaminhadas às autoridades citam ainda demora na troca de roupas de cama e problemas relacionados à limpeza dos materiais usados pelos menores.

Acusações de natureza trabalhista também apareceram entre as mensagens divulgadas sobre o funcionamento do estabelecimento, com relatos de ex-funcionárias que teriam deixado o local sem receber integralmente valores devidos. Essa informação não havia sido confirmada oficialmente e não faz parte, necessariamente, da mesma apuração sobre possíveis maus-tratos.

Situação do estabelecimento também é verificada

Aberta em abril de 2022, a empresa aparece como inapta na Redesim desde 17 de junho por omissão de declarações, situação cadastral que, isoladamente, não significa fechamento automático da atividade. Licenças e autorizações necessárias para o funcionamento precisam ser verificadas separadamente junto aos órgãos competentes.

A Prefeitura de Nova Andradina informou que o estabelecimento é particular e funciona mediante contratação direta das famílias para permanência e cuidado das crianças, sem integrar a Rede Municipal de Ensino. Por essa razão, segundo o município, o espaço não recebe acompanhamento pedagógico da Secretaria Municipal de Educação e do Conselho Municipal de Educação nos mesmos moldes das escolas.

Depois que as denúncias chegaram ao conhecimento da administração municipal na sexta-feira (18), Polícia Civil e Conselho Tutelar foram acionados para verificar as condições do local e ouvir pessoas envolvidas. Até a atualização divulgada posteriormente, as primeiras verificações não haviam confirmado as acusações de violência relatadas nas mensagens.

A apuração deverá reunir depoimentos de responsáveis, funcionários, familiares e outras pessoas que tiveram contato com as crianças, além de confrontar os relatos com registros e demais materiais entregues às autoridades. O Conselho Tutelar permanece responsável pelo acompanhamento das medidas de proteção relacionadas aos menores.

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