Homicídios em MS crescem 21% e Estado soma 403 vítimas em 2026

Com 403 vítimas de homicídio doloso contabilizadas até 20 de setembro, Mato Grosso do Sul registra em 2026 um número 21,4% maior que as 332 mortes ocorridas entre janeiro e setembro do ano passado. Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública estão distribuídos em 359 ocorrências e ainda consideram setembro incompleto.

A comparação com todo o ano anterior mostra que o Estado está a 43 vítimas de alcançar as 446 mortes registradas nos 12 meses de 2025, quando foram contabilizadas 401 ocorrências. O resultado atual representa 90,4% daquele total, com outubro, novembro e dezembro ainda fora da estatística de 2026.

Julho concentra o maior número de mortes deste ano, com 65 vítimas, seguido por agosto, com 55, e junho, com 53, formando o período mais violento da série mensal até agora. Maio aparece com 49 homicídios, março com 46, janeiro com 42 e abril com 39.

Na parte inferior da estatística, fevereiro contabilizou 23 mortes e permanece como o mês com menor número de vítimas, enquanto setembro chegou a 31 até este domingo. Como o levantamento foi feito dez dias antes do fechamento do mês, esse último resultado ainda pode receber novos registros.

Em 2025, a distribuição das mortes ao longo do ano teve outro desenho, com janeiro na primeira posição ao registrar 48 vítimas, seguido por setembro e novembro, ambos com 45. Março teve 44 homicídios, dezembro terminou com 38, agosto registrou 37, fevereiro e abril tiveram 34 cada, maio somou 33, outubro teve 31, junho terminou com 30 e julho ficou em 27.

Entre as 403 vítimas contabilizadas neste ano, 206 tinham entre 30 e 59 anos e outras 137 estavam na faixa dos 18 aos 29, enquanto a base estadual reúne ainda 28 idosos, 19 adolescentes e sete crianças. Em seis registros, a idade não havia sido informada no sistema.

Os números reúnem crimes cometidos em circunstâncias diferentes e não apontam uma única explicação para o crescimento registrado no Estado, já que as investigações incluem desde conflitos pessoais e cobranças de dívidas até ataques direcionados e casos sob suspeita de participação de organizações criminosas.

Casos recentes ampliam investigações no interior

Uma das frentes abertas pela Polícia Civil está em Nova Andradina, onde uma sequência de assassinatos registrada entre junho e julho levou os investigadores a apurar uma possível atuação de grupos criminosos. Entre as vítimas estavam Fabrício Flor de Oliveira, de 19 anos, Brendow Kaique Souza da Silva, de 18, e Matheus de Melo Flores Pinheiro, de 21.

Brendow foi morto dentro de uma residência no início de julho, enquanto José Ricardo Flores, conhecido como Ricardinho, morreu depois de ser atraído, segundo a investigação, para uma negociação de aluguel que teria servido para levá-lo até uma emboscada. Parte dessas apurações levou à Operação Liberdade Duradoura, que prendeu suspeitos apontados pela polícia como integrantes do Comando Vermelho.

Nova Andradina voltou a registrar um ataque com várias vítimas na noite de sábado (19), quando duas mulheres e um homem foram mortos dentro de uma casa em Nova Casa Verde. Um adolescente ficou ferido, e a Polícia Civil ainda trabalha para identificar todos os envolvidos e esclarecer a motivação do crime.

Sidrolândia também passou a concentrar homicídios e atentados nas últimas semanas, entre eles a morte de Douglas Amorim Lopes, de 36 anos, no Bairro Jatobá. Conforme relato registrado pela polícia, uma mulher teria sido ameaçada e obrigada a indicar ao autor o endereço onde a vítima morava antes do ataque.

Menos de 24 horas depois, uma mulher de 30 anos ficou ferida durante outra ação com disparos no município, aumentando a quantidade de ocorrências analisadas pelos investigadores. Uma das linhas de apuração considera se parte desses episódios tem ligação com disputas entre grupos criminosos, sem que essa hipótese esteja confirmada para todos os casos.

Na região de fronteira, Ponta Porã registrou quatro assassinatos entre 28 e 29 de janeiro, em um intervalo aproximado de 24 horas e em diferentes pontos da cidade. Os crimes abriram o ano com uma sequência de mortes que passou a ser investigada pelas forças de segurança que atuam na região.

Caarapó entrou na estatística de casos envolvendo adolescentes com o assassinato de um jovem de 14 anos em junho, enquanto Coxim registrou a morte de Jonatas Douglas da Silva Oliveira, de 22 anos, durante um ataque em um estabelecimento comercial. Eventuais vínculos com grupos criminosos apareceram entre as linhas analisadas pela polícia nos dois municípios.

Em Dourados, a investigação sobre a morte de Vitor Orsini, de 19 anos, já chegou à Justiça depois que o jovem foi assassinado em agosto dentro da loja de veículos do pai. Segundo o SIG, ele teria sido confundido com a pessoa que seria o verdadeiro alvo de um crime encomendado, e cinco denunciados pelo Ministério Público se tornaram réus no processo.

Três acusados que estavam presos em Dourados foram posteriormente transferidos para a Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, em Campo Grande, enquanto o processo segue em andamento.

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