Paciente americano mantém rim de porco geneticamente modificado por 271 dias nos EUA

Equipe médica conduzindo transplante de rim de porco geneticamente modificado em paciente nos EUA

Paciente supera nove meses com órgão animal após transplante inédito

Um marco inédito na medicina foi alcançado nos Estados Unidos após Timothy Andrews, de 66 anos, permanecer 271 dias com um rim de porco geneticamente modificado funcionando em seu corpo. O paciente, que enfrentava estágio avançado de doença renal e estava diante de um cenário com apenas 9% de chance de receber um rim humano, participou como voluntário de um programa experimental conduzido por uma equipe em Boston.

A cirurgia, realizada em janeiro de 2025, envolveu um órgão de porco desenvolvido por meio de 69 alterações genéticas. Cientistas retiraram três genes considerados responsáveis por possíveis rejeições e incluiram sete genes humanos, além de inativar vírus com potencial de causar doenças. As células modificadas deram origem aos embriões implantados em uma fêmea, gerando filhotes com órgãos mais compatíveis. Timothy relata que, antes do procedimento, sua rotina era marcada por cansaço, mal-estar e necessidade contínua de diálise. “Antes da cirurgia, me disseram que eu passaria o resto da vida fazendo diálise. Eu ficava doente o tempo todo, dormia muito, vomitava. Eu mal conseguia andar. Com o rim de porco, me senti ótimo. Assim que saí da mesa de cirurgia, eu estava sapateando. Literalmente”.

Avanço pode criar nova ponte até transplante humano

O órgão permaneceu funcional por mais de nove meses, período superior ao de experiências anteriores, e sem necessidade de diálise. O diretor do programa responsável pela cirurgia, médico brasileiro Leonardo Riella, aponta que a equipe conseguiu preservar a possibilidade de o paciente receber um rim humano posteriormente, mesmo após o uso do rim animal. “Pela primeira vez, a gente demonstrou que um rim de porco geneticamente editado pode funcionar por vários meses em um paciente e permitir que ele fique sem diálise, sem necessidade de diálise. Mas não só isso, a gente também conseguiu demonstrar, nesse caso — que está sendo publicado agora — que isso ainda preservou a possibilidade de o paciente receber posteriormente um transplante de rim humano. Então isso pode, na verdade, criar a possibilidade desse rim de porco ser uma ponte”.

Durante o acompanhamento, lesões foram identificadas no rim animal de Timothy, tornando possível um segundo transplante, dessa vez com um órgão humano. Recuperado, ele afirma: “Eu realmente me surpreendo de estar aqui hoje. É a melhor forma de explicar”. O objetivo da pesquisa é oferecer a alternativa de rim de porco dentro de até cinco anos no sistema de saúde americano. “A gente ainda prioriza o transplante de rim humano, mas a gente está tentando justamente corrigir um dos grandes problemas, que é a escassez de órgãos”, ressalta Leonardo Riella.

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