ICMBio aprova plano nacional para proteger tamanduá-bandeira e tatus ameaçados
Estratégia terá cinco anos e mira atropelamentos, incêndios, agrotóxicos e perda de habitat.
Quatro espécies de mamíferos ameaçados de extinção ganharam um plano nacional de conservação aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) cria o PAN Tamanduá e Tatus, com vigência de 1º de setembro de 2026 a 1º de setembro de 2031. Entre os animais protegidos estão o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, o tatu-bola e o tatu-bolinha, espécies que ocorrem em Mato Grosso do Sul, especialmente no Pantanal.
O programa prevê ações para reduzir colisões de veículos com esses animais, já que eles são frequentemente encontrados mortos às margens de rodovias no estado. Também estão previstas medidas contra a destruição de habitats, incêndios, uso de agrotóxicos e outros contaminantes. Os detalhes das ações serão definidos em uma matriz de planejamento que o ICMBio vai disponibilizar e atualizar em seu portal.
Três das espécies já constam na lista nacional de animais ameaçados: o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) está classificado como “em perigo”, enquanto o tamanduá-bandeira e o tatu-canastra são considerados “vulneráveis”. O tatu-bolinha (Tolypeutes matacus) foi incluído após a avaliação nacional mais recente validar seu status de ameaça. Esse animal habita áreas do Pantanal e regiões influenciadas pelo Chaco, incluindo Mato Grosso do Sul. Já o tatu-bola citado na portaria é associado principalmente à Caatinga e a partes do Cerrado do Nordeste e do centro do país, não devendo ser confundido com o tatu-bolinha.
Entre os oito objetivos do plano está a redução de atropelamentos dessas espécies, um problema direto em Mato Grosso do Sul. O documento, no entanto, ainda não define obras, trechos rodoviários ou metas numéricas para diminuir as mortes nas estradas. As ações detalhadas virão na matriz de planejamento.
O plano também busca conter a perda, a fragmentação e a degradação dos ambientes naturais, além de tratar dos impactos do fogo, de empreendimentos sujeitos a licenciamento ambiental e do uso de produtos químicos. Serão elaboradas estratégias de manejo, prevenção de doenças e convivência entre as espécies e as populações humanas, com o intuito de reduzir mortes ligadas a fatores econômicos, culturais ou à percepção negativa sobre os bichos.
O acompanhamento da execução ficará a cargo de um grupo técnico ainda a ser criado pelo ICMBio. O plano passará por monitoramento anual, com possibilidade de revisão das ações, além de uma avaliação intermediária e outra ao fim dos cinco anos. A portaria cria a estrutura administrativa do programa, mas não informa o investimento previsto nem ações específicas para Mato Grosso do Sul. A efetividade dependerá das medidas incluídas na matriz e dos recursos disponibilizados.
Com informações Campo Grande News.

