Inadimplência cresce e MS chega a 1,31 milhão de consumidores com nome restrito

comércio de Campo Grande

Mato Grosso do Sul chegou a 1.313.053 consumidores inadimplentes em julho, segundo levantamento da Serasa, e acumulou R$ 11,16 bilhões em dívidas. O número representa 60,29% da população do Estado e mantém MS entre as unidades da federação com maior proporção de consumidores com o nome restrito.

O Estado aparece na quarta posição nacional nesse indicador. O percentual registrado em julho fica atrás de Amapá, com 64,86%, Distrito Federal, com 63,02%, e Amazonas, com 60,77%.

O avanço ocorre mesmo com programas de renegociação de débitos, entre eles o Desenrola e ações promovidas pela Serasa para facilitar a regularização das contas.

Em janeiro, Mato Grosso do Sul tinha 1.266.599 pessoas inadimplentes. Ao longo dos sete primeiros meses do ano, foram acrescentados 46.454 consumidores à lista de negativados, crescimento de 3,7%. Considerando os 148 dias úteis do período, a média equivale a 313 novos inadimplentes por dia.

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Na comparação com julho de 2025, quando o Estado registrava 1.201.898 consumidores com o nome restrito, o aumento chega a 9,2%. Em um ano, foram 111.155 novos inadimplentes.

Apesar da alta acumulada, o ritmo de crescimento desacelerou entre junho e julho. Nesse intervalo, foram registrados 137 novos negativados, variação de 0,01%.

O levantamento também mostra que o volume financeiro das dívidas aumentou. Em junho, o total era de R$ 11,07 bilhões e passou para R$ 11,16 bilhões em julho. Cada consumidor inadimplente possui, em média, R$ 8.500,27 em débitos, enquanto o valor médio de cada dívida é de R$ 1.799,44.

O cartão de crédito e o setor bancário concentram a maior parcela das dívidas no Estado, com 28,26% dos débitos. Financeiras aparecem na sequência, com 18,24%, seguidas por contas de serviços essenciais, como água e energia, com 17,58%. Serviços representam 14,04% e o varejo responde por 9,39%.

Para o mestre em Economia Eugênio Pavão, o aumento do custo de vida e a redução do poder de compra estão entre os fatores que ajudam a explicar o cenário.

“Estamos diante de um endividamento estrutural, que não é mais apenas fruto de consumo, mas de sobrevivência”, avalia.

Segundo Pavão, as famílias passaram a utilizar o crédito também para complementar a renda e manter despesas básicas. Nesse cenário, o cartão de crédito ganhou espaço na organização das contas domésticas.

“Esse comportamento indica que, para muitos brasileiros, o cartão deixou de ser apenas uma alternativa para compras parceladas e passou a integrar o planejamento financeiro cotidiano”, afirma Camila Martins, gerente de Crédito da Serasa.

Renegociação ainda não freia avanço

A procura por alternativas para regularizar as contas aumentou, mas ainda não foi suficiente para interromper o crescimento da inadimplência em Mato Grosso do Sul.

Soraia Domingos, especialista da Serasa em Educação Financeira, afirma que os consumidores estão utilizando programas de renegociação quando encontram condições consideradas mais favoráveis.

“Mesmo diante desse cenário de inadimplência ainda elevado, os consumidores estão sim aproveitando as oportunidades para renegociar suas dívidas, especialmente quando vem acompanhado de maiores e melhores condições, como é o caso desses programas e mutirões de renegociação de dívidas como o descontaço da Serasa e o Desenrola”, afirma.

Levantamento realizado pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box indica que metade dos entrevistados, 50%, gastou mais do que havia planejado durante o primeiro semestre deste ano.

Ao mesmo tempo, 54% afirmaram revisar o planejamento financeiro no meio do ano para definir os próximos passos. Entre as principais metas para o segundo semestre, 49% disseram pretender quitar dívidas, 32% querem limpar o nome e 29% planejam criar uma reserva financeira.

“O meio do ano é um momento importante para refletir sobre o planejamento financeiro e ajustar a rota quando necessário. Percebemos que os consumidores estão mais conscientes sobre a importância de reorganizar o orçamento e estabelecer metas compatíveis com sua realidade financeira”, conclui Soraia.

Em números absolutos, Campo Grande concentra a maior quantidade de consumidores negativados entre as principais cidades de Mato Grosso do Sul. A Capital tinha 500.375 inadimplentes em julho, com 2,66 milhões de dívidas que somavam R$ 4,96 bilhões. O valor médio por inadimplente era de R$ 9.917,56.

Dourados registrava 108.839 pessoas inadimplentes e R$ 983,8 milhões em dívidas. Em Três Lagoas, eram 59.426 consumidores negativados e R$ 480,7 milhões em débitos.

Corumbá tinha 49.364 inadimplentes, com R$ 366,9 milhões em dívidas. Ponta Porã aparecia com 40.285 consumidores com o nome restrito e R$ 307,3 milhões em débitos.

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