Ribeirinhos da Baía do Castelo voltam a ficar isolados por acúmulo de baceiros no Rio Paraguai

Vista aérea de baceiros bloqueando o canal do Rio Paraguai na Baía do Castelo

Moradores da Baía do Castelo, a 100 km de Corumbá, estão novamente ilhados devido ao acúmulo de baceiros e camalotes no único canal navegável que liga a comunidade ao Rio Paraguai. Com o bloqueio, famílias não conseguem chegar a serviços de saúde e educação, e a situação se agrava porque o caminho alternativo por terra também foi inundado pela cheia.

O produtor rural Oséias Araújo, que vive na região, descreve o impacto na rotina local. “Fecha e aí não tem como as crianças irem estudar, e a escola fica cobrando que tem que levar. Também tem pessoas aqui que são idosas, que têm problemas de saúde. Quando tranca, fica difícil”, relata. Ele alerta que o problema tende a piorar com a vazante. “Agora ainda tem água, mas daqui a alguns dias, se essa água baixar e não tirarem essa vegetação, ela vai trancar de vez. Aí vai ficar pior do que tá agora”.

Obstrução recorrente e responsabilidade do DNIT

A obstrução é causada pela concentração de vegetação aquática, como aguapés, gramíneas e raízes, que formam ilhas densas e bloqueiam trechos estreitos do rio. Fenômeno comum durante as cheias no Pantanal, o acúmulo de baceiros já havia isolado a comunidade em março, quando foi aberta uma estrada improvisada de 8 km após um mês sem acesso à cidade. O trajeto, porém, foi tomado pelas águas recentemente, deixando as famílias sem rotas de saída.

O superintendente da Defesa Civil de Corumbá, Silvanei Coelho, afirma que a limpeza dos canais é atribuição do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e que a prefeitura já solicitou a desobstrução. O órgão federal, no entanto, não respondeu até o fechamento da reportagem. Em março, o DNIT alegou inviabilidade técnica para remover a vegetação, citando o baixo nível do rio e o risco de danos aos equipamentos.

Oséias aponta que a dragagem da boca do rio seria uma solução para alargar a passagem, hoje com menos de 100 metros, enquanto as ilhas de baceiro podem alcançar 200 metros. Sem a via fluvial, a travessia por terra só é possível a cavalo ou de trator em trechos de brejo, o que inviabiliza o transporte de idosos e doentes. A reportagem tentou novo contato com o DNIT, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Com informações Campo Grande News

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