Vander Loubet repudia bloqueio de Camila Jara em evento na Fiems
O deputado federal Vander Loubet, presidente do PT em Mato Grosso do Sul e pré-candidato do partido ao Senado, repudiou o bloqueio à deputada federal Camila Jara em um evento na Fiems. A parlamentar afirma que foi impedida de participar da agenda por ordem do presidente da entidade, Sérgio Longen.
Na nota compartilhada por Camila, Vander relacionou o episódio à violência política de gênero e à proximidade do Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. “Nenhuma mulher deve ser intimidada por ocupar lugar que conquistou”.

Deputada relata uso de força
O evento ocorreu em Campo Grande, na noite de quinta-feira (30), com a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Camila relatou que a ação para impedir sua entrada envolveu “uso de força bruta” e publicou uma crítica nas redes sociais logo após o ocorrido. “É assim que eles tratam as mulheres parlamentares. […] Uma instituição sexista, uma instituição machista e que não sabe dialogar com os diversos setores. Passam a roupagem de que são democráticos, mas, na hora da participação, barram quem deveria participar”.
Vander também defendeu o direito de mulheres eleitas exercerem seus mandatos sem intimidação. “As mulheres conquistaram, com muita luta, o direito de ocupar os espaços de poder e decisão. Toda mulher eleita pelo voto popular deve poder exercer seu mandato com respeito à sua voz e à sua representação. Violência política contra as mulheres é inaceitável e enfraquece a democracia”.
O PT de Mato Grosso do Sul divulgou nota de repúdio e classificou o caso como machismo institucional e perseguição política. O partido informou que a reunião tratava de assuntos de interesse público para o estado, entre eles o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, e sustentou que Camila tinha convite formal feito pelo ministro.
A direção estadual da sigla também alegou que a agenda não era reservada e considerou o bloqueio uma afronta ao mandato da deputada. Para o partido, o tratamento não pode ser reduzido a uma falha de protocolo ou a uma divergência política.
O deputado estadual Pedro Kemp, presidente do diretório municipal do PT em Campo Grande, rejeitou possíveis justificativas ligadas a critérios técnicos, limitação de espaço ou burocracia de lista. “Barrar uma parlamentar eleita sob o pretexto de burocracia de lista é uma manobra e sabemos o que isso significa. O nome disso é perseguição política e exclusão de gênero. Machismo e falta de transparência não fazem parte da democracia”.
O vereador Landmark anunciou que apresentará uma moção de repúdio na Câmara Municipal de Campo Grande em defesa de Camila Jara.
