Chefão do PCC deixa presídio federal de Campo Grande e é transferido para unidade de Brasília
Apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), Gerson Palermo foi transferido nesta sexta-feira (31) da Penitenciária Federal de Campo Grande para o Presídio Federal de Brasília (DF). Condenado a 126 anos de prisão, ele cumpria pena em Mato Grosso do Sul desde que foi extraditado da Bolívia, após ser capturado no fim de maio deste ano.
Com registros policiais desde o início da década de 1990, Gerson Palermo é apontado pelas autoridades como integrante da cúpula do PCC, com atuação no tráfico internacional de cocaína, lavagem de dinheiro e na articulação logística entre Brasil e Bolívia.
Entre os episódios de maior repercussão atribuídos ao traficante está o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, em 2000. Segundo as investigações, Palermo — que também é piloto de avião liderou o grupo que tomou o controle da aeronave logo após a decolagem em Foz do Iguaçu (PR).
Sob as ordens da quadrilha, o avião foi obrigado a pousar em Porecatu (PR), onde os criminosos roubaram nove malotes do Banco do Brasil, contendo cerca de R$ 5,5 milhões.
Preso em 29 de agosto de 2000 por esse crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão. Na ocasião, a Polícia Federal já o classificava como um dos maiores traficantes do país. Antes disso, ele havia sido preso por tráfico de drogas em 1991.
Prisão na Bolívia e vida sob identidade de empresário
A captura de Gerson Palermo ocorreu em 26 de maio, durante uma operação conjunta da Polícia Federal com forças de segurança bolivianas especializadas no combate ao narcotráfico.
Ele foi localizado em uma propriedade nas proximidades de Cotoca, município situado a cerca de 19 quilômetros de Santa Cruz de la Sierra, onde vivia enquanto estava foragido.
Segundo as investigações, Palermo levava uma vida de fachada e se apresentava como um empresário bem-sucedido do setor do agronegócio.
Após a prisão, ele foi extraditado para o Brasil e encaminhado ao sistema penitenciário federal, permanecendo na unidade de Campo Grande até a transferência para Brasília.
Responde por sequestro da própria filha
Além das condenações já impostas pela Justiça, Palermo também responde a uma ação penal em Mato Grosso do Sul pelo suposto sequestro da própria filha.
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu em outubro do ano passado, em Campo Grande, e teria sido motivado pelo desaparecimento de US$ 100 mil.
O processo já teve a primeira audiência de instrução e julgamento realizada na Capital e segue em tramitação na Justiça.
