Acordo Mercosul-China é tratado por Lula e Xi em diálogo telefônico
Os presidentes do Brasil e da China mantiveram contato telefônico na noite de domingo (26) por mais de uma hora, em conversa que teve como eixo a integração de projetos nacionais e a formalização de uma zona de livre comércio envolvendo os dois lados. Em meio ao diálogo, houve consenso sobre a necessidade de acelerar o processo negocial.
No teor divulgado oficialmente, ficou registrado que “coincidiram a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China, que contemple as necessárias flexibilidades.” A declaração consta da nota assinada pela Secretaria de Comunicação Social.
Áreas estratégicas e medidas bilaterais
Os líderes também trataram da ampliação da cooperação em setores de tecnologia e de relevância estratégica, com ênfase em inteligência artificial, satélites e no beneficiamento de minerais considerados críticos. As conversas incluíram ainda o comércio de fertilizantes como ponto de atenção entre ambos os governos.
Conforme divulgado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), Lula e Xi avaliara positiva a balança comercial entre Brasil e China e os avanços práticos das ações bilaterais já em curso, como a isenção de visto para visitas de curta duração, que está em vigor desde maio. A agenda conjunta prevê atividades de aproximação cultural no âmbito do Ano Cultural Brasil-China 2026.
Agenda global e segurança internacional
No encontro, questões internacionais de segurança e seus efeitos sobre a vida das pessoas foram colocadas como prioridades, em especial os impactos sobre alimentação e energia. Diante desse panorama, os presidentes manifestaram preocupação humanitária e diplomática.
Antes de detalhar propostas multilaterais, os dois exaltaram a preocupação comum: “Os presidentes expressaram profunda preocupação com a continuidade da situação humanitária em Gaza”. A observação integra o comunicado oficial divulgado após a conversa.
Além disso, Lula e Xi concordaram que restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb prejudicam a economia mundial. O papel do Grupo de Amigos da Paz, iniciativa diplomática liderada pelo Brasil e pela China nas Nações Unidas para buscar soluções pacíficas por meio do diálogo entre países do Sul Global, foi destacado como relevante para a busca do fim da Guerra na Ucrânia.
Apesar de apontarem falhas na capacidade de resposta do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante de conflitos, os presidentes reafirmaram compromisso com o multilateralismo e manifestaram a intenção de atuar de forma coordenada em fóruns internacionais.
As informações oficiais sobre a conversa constam do comunicado da Secretaria de Comunicação Social e registram os pontos de convergência entre Brasília e Pequim, sem indicação de prazos específicos para as próximas etapas das tratativas.

