ONU propõe usar a Copa do Mundo para fortalecer a saúde mental da juventude
O Escritório da Juventude da ONU realiza na sede da organização, em Nova York, nesta sexta-feira (17), um evento destinado a inserir o futebol na agenda de promoção da saúde mental da juventude, sob o tema Um Mundo, Um Jogo, Um Objetivo, O Futebol como um Catalisador para a Saúde Mental e Bem-Estar da Juventude. A iniciativa, reunindo jovens, governos, setor privado e sociedade civil, pretende definir ações concretas que aproximem políticas públicas e práticas esportivas.
Um relatório da ONU aponta que uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos enfrenta algum problema de saúde mental, e registra aumento da depressão entre adolescentes e jovens adultos nos últimos anos. A ONU News informou que o mesmo levantamento identificou associação entre a prática de esportes coletivos e menores taxas de depressão e ansiedade, independentemente do país, mas que muitos jovens encontram barreiras para uma participação significativa no esporte.
A proposta do encontro é traduzir a capacidade do futebol de gerar comunidades, pertencimento e impulso para superar limites individuais em programas de prevenção e promoção do bem-estar. Os organizadores defendem que esses elementos do jogo podem ser mobilizados em favor da saúde mental, integrando experiências locais e investimentos públicos e privados.
Brasil e gênero
Ao abordar a relação entre grandes eventos e causas sociais, o coordenador do encontro em Nova York trouxe a próxima Copa do Mundo Feminina no Brasil como exemplo de oportunidade para enfrentar questões estruturais de violência. Pedro Trengrouse, da Fifa Master Alumni, destacou o risco e a necessidade de prioridade nessa pauta, “Hoje é a saúde mental, amanhã na Copa do Mundo Feminina no Brasil, por exemplo, precisa ser a questão de gênero. Um país como o nosso, que tem o índice de feminicídio que nós temos, não pode receber a Copa do Mundo Feminina sem tratar dessa questão”. A menção conecta a agenda da saúde mental a demandas mais amplas de proteção e igualdade.
Bets e impactos no Brasil
No Brasil, a difusão de sites de apostas online tem sido associada ao agravamento de quadros de saúde mental em parte dos apostadores, em razão de perdas financeiras e endividamento. Levantamento da fintech Klavi, com base em uma amostra de 1,2 milhão de brasileiros e em dados da Open Finance do Banco Central, identificou que foram enviados a casas de apostas R$ 944 milhões durante a atual Copa do Mundo, sendo R$ 17,9 milhões apenas na quinta-feira (16).
O Instituto de Defesa do Consumidor alerta para a capacidade das empresas de apostas de explorar a mobilização emocional dos eventos esportivos, ampliando o alcance da publicidade. “Eventos esportivos de grande mobilização emocional tendem a ampliar significativamente a exposição da população à publicidade de bets, atingindo não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirma o Idec. A organização chama atenção para efeitos sociais e econômicos decorrentes dessa maior exposição.
Em resposta à maior demanda por atendimento psicológico de jogadores com comportamento compulsivo relacionado às apostas, o Sistema Único de Saúde ampliou a oferta de teleatendimento. “É importante reconhecer que, para algumas pessoas, a prática pode se tornar um problema e causar danos significativos na saúde física e mental, nas relações sociais e na vida financeira, comprometendo a qualidade de vida”, diz comunicado do Ministério da Saúde, indicando medidas de acompanhamento e atenção ampliada pelo serviço público.

