Flávio Bolsonaro acusa Moraes de interferir nas eleições ao suspender visitas ao pai
Decisão do STF impede o senador de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias após divulgação de carta sobre sua pré-candidatura
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de tentar interferir nas eleições deste ano ao suspender por 90 dias suas visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. Em transmissão no YouTube nesta segunda-feira, o senador e pré-candidato à Presidência contestou a medida tomada após a publicação de uma carta de apoio à sua candidatura.
Para Flávio, o prazo definido pelo ministro impede o contato com Jair Bolsonaro até depois do primeiro turno. “E o que Alexandre de Moraes faz agora é claramente deixar meu pai incomunicável. Não por acaso, ele toma a decisão deixando o presidente Bolsonaro sem falar com o próprio filho, no caso, Flávio Bolsonaro, eu, por 90 dias. Ou seja, eu só poderia voltar a falar com o presidente Bolsonaro após o primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para estabelecer 90 dias?”
“(A decisão) claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano. Não bastasse toda a maldade e injustiça que ele já vem fazendo com o Jair Messias Bolsonaro, o melhor presidente da história deste Brasil”
Motivos apontados na decisão
A suspensão ocorreu depois de Flávio publicar nas redes sociais, no sábado (11/7), uma carta escrita por Jair Bolsonaro. No documento, o ex-presidente chama o senador de “meu pré-candidato” e “meu porta-voz”, além de pedir o apoio dos eleitores ao filho.
Moraes avaliou que o senador usou o direito de visita para contornar a proibição de Jair Bolsonaro se manifestar publicamente, de forma direta ou por intermédio de terceiros. O ministro registrou que a carta teria sido obtida “com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”, o que, para ele, caracteriza desvio de finalidade no direito de visita.
Ao conceder a prisão domiciliar temporária de Bolsonaro em março deste ano, Moraes proibiu expressamente o ex-presidente de usar redes sociais, inclusive por terceiros. A decisão também menciona que Flávio seria reincidente no descumprimento de ordens judiciais e cita episódio de agosto de 2025, quando pai e filho teriam produzido, “dolosa e conscientemente”, material destinado à divulgação por apoiadores políticos.
Além de suspender as visitas, Moraes deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro informar se o ex-presidente sabia da divulgação da carta. Flávio afirmou que não entende por que o documento passou a ser questionado agora, pois outras quatro cartas atribuídas ao pai já teriam sido divulgadas sem manifestação do ministro.
“O que eu percebo é que, mais uma vez, Alexandre de Moraes está apenas procurando uma desculpa para tirar o meu pai da prisão domiciliar em que ele se encontra. Gente, não vamos ser ingênuos”
O senador declarou integrar a defesa de Jair Bolsonaro e informou que pretende acionar a Ordem dos Advogados do Brasil para questionar a restrição de acesso ao cliente. “A OAB já está ciente e estamos em processo de formalizar isso para que a Ordem também entre nessa questão. Eu quero fazer aqui até uma espécie de desabafo com todos vocês, porque está muito claro que o Alexandre de Moraes quer tirar o meu pai da prisão domiciliar a qualquer custo”

