Alemanha e Dinamarca registram temperaturas recordes em onda de calor
Uma onda de calor que se espalha pela Europa registrou temperaturas recordes na Alemanha e na Dinamarca e segue deslocando-se para a Polônia enquanto provoca mortes e sobrecarga em serviços públicos.
Conforme divulgado pelo Serviço Nacional de Meteorologia da Alemanha, um novo recorde provisório de 41,3°C foi registrado na sexta-feira próximo a Saarbrücken, cidade na fronteira com a França.
Karsten Brandt, meteorologista do site de previsão do tempo Donnerwetter.de, analisou a evolução do sistema e a amplitude térmica do fenômeno. “A onda de calor atingirá seu pico no fim de semana, com temperaturas bem acima de 40°C em algumas partes da Alemanha”
Registros e alertas
Ao norte de Aarhus, a Dinamarca anotou 37°C neste sábado, medida que, segundo o Instituto Meteorológico Dinamarquês, constitui a maior temperatura desde o início das medições em 1874.
O serviço meteorológico alemão emitiu alertas de calor extremo para quase todo o país e orientou a população a economizar água, observando expectativa de 36°C de forma generalizada com máximas locais próximas de 42°C.
As temperaturas subiram acima de 30°C em grande parte da Polônia, e o sistema climático continua seu avanço em direção ao leste europeu.
Impactos na infraestrutura e na saúde
Operadoras ferroviárias reduziram o tráfego diante do risco de danos às vias, com a Deutsche Bahn permitindo cancelamento sem cobrança em viagens de longa distância até o início da próxima semana para aliviar a rede.
Outra empresa, a National Express, comunicou a suspensão de alguns trens na tarde deste sábado na Renânia do Norte-Vestfália como medida preventiva, e autoridades locais fecharam parcialmente uma faixa de uma rodovia próxima a Hamburgo após fissuras no asfalto causadas pelo calor.
Na França, dezenas de mortes foram atribuídas à onda de calor, envolvendo tanto jovens quanto idosos, e o país registrou interrupções no tráfego ferroviário e na geração de energia, proibições ao consumo de álcool em determinados locais, suspensão de aulas e adiamento de eventos ao ar livre.
Relatos de incêndios florestais no território francês aumentaram em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo autoridades locais, enquanto o gabinete do primeiro-ministro francês advertiu que a pressão sobre o sistema de saúde permanecerá alta por vários dias mesmo com a diminuição do pico.
O Ministério da Saúde da Itália definiu alerta vermelho em 18 cidades, entre elas Milão, Roma, Turim, Veneza, Gênova, Florença e Bolonha, com previsões de temperaturas até 39°C no fim de semana, e Bolzano registrou na sexta-feira a noite mais quente de junho já medida, com mínima de 25,4°C.
O calor também motivou apelos oficiais à economia de água em áreas afetadas e a adoção de medidas preventivas por serviços públicos e empresas de transporte.
Cientistas citados por agências internacionais indicam que o episódio teria sido praticamente impossível sem as mudanças climáticas causadas pelo homem e que as temperaturas noturnas desta semana se tornaram 100 vezes mais prováveis do que seriam há cerca de duas décadas.

