La Espriella é eleito presidente da Colômbia em vitória por margem estreita
A contagem preliminar do Registro Civil Nacional, com pouco menos de 100% das urnas apuradas, aponta vitória apertada de Abelardo De La Espriella no segundo turno das eleições presidenciais, com 49,66% dos votos contra 48,7% de Iván Cepeda, diferença de aproximadamente 250 mil votos.
Mais de 26,3 milhões de eleitores participaram do pleito entre os 41,4 milhões aptos a votar, e cerca de 427 mil cédulas foram entregues em branco, figurem geralmente interpretadas como voto de protesto, conforme dados oficiais da apuração.
Em sua plataforma, La Espriella responsabilizou o governo anterior pela deterioração econômica e pela expansão de grupos armados, e apresentou propostas para encerrar negociações com rebeldes e organizações criminosas, impulsionar o setor de petróleo e gás, reduzir impostos e diminuir o tamanho do Estado em até 40%, além de manter o aumento de 23% do salário mínimo e outras políticas sociais populares.
No comício realizado em Barranquilla, La Espriella buscou um gesto de conciliação junto à população. “Governarei para todos os colombianos, tanto para aqueles que votaram em mim quanto para aqueles que escolheram o outro candidato” A declaração foi dirigida aos apoiadores e aos adversários, como sinal de intenção de inclusão no início do mandato.
Mais cedo, o candidato celebrou uma ligação do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que já havia declarado apoio à sua candidatura, e consta que La Espriella possui cidadania dos EUA e da Itália, além de residências em diversos países.
O resultado estreito tende a exigir concessões do novo presidente diante de um Congresso fragmentado, em que o Pacto Histórico do adversário obteve o maior número de cadeiras tanto no Senado quanto na Câmara, embora sem maioria absoluta, cenário que pode forçar suavizações em propostas econômicas e de segurança.
Organizações empresariais importantes divulgaram manifestos de felicitação pela vitória, enquanto celebrações foram registradas em bairros de classe alta e média de Bogotá e Medellín, com apoio visível nas ruas.
Entre os que comemoraram estava Viviana Olivos, engenheira mecânica de 46 anos que participou das comemorações. “É uma vitória para a Colômbia — uma mudança após quatro anos perdidos, sem um rumo claro” A frase resumiu a percepção de parte dos apoiadores sobre a alternância política.
La Espriella, advogado sem experiência política prévia, também terá o desafio de lidar com alta dívida pública e com questionamentos sobre sua trajetória empresarial, após investigação do veículo local La Silla Vacia que apontou dissolução de várias empresas, endividamento e prejuízos em 2024, sendo o escritório de advocacia o empreendimento mais lucrativo relacionado ao candidato.
No campo opositor, Iván Cepeda anunciou que aguardará a verificação final das urnas e que sua campanha contestou cerca de 33 mil urnas de um total de 122 mil, enquanto prepara interlocução política para garantir que sua base tenha presença nas decisões futuras.
Em ato público em Bogotá, Cepeda enfatizou disposição para o diálogo com condições e para preservar avanços sociais. “Estamos abertos ao diálogo; estamos dispostos a chegar a acordos, desde que sejam respeitosos, genuínos e refletidos em ações políticas que beneficiem a nação e preservem o progresso histórico que já alcançamos” A afirmação reforçou a intenção de buscar negociação política sem renegar as demandas do eleitorado que o apoiou.

