Advogados afirmam que investigação da morte de Gritzbach foi manipulada
Começou nesta segunda-feira, com forte esquema de segurança e bloqueios de ruas, o júri popular contra três policiais militares acusados de envolvimento na execução do empresário e delator Vinicius Gritzbach no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024.
Enquanto a seleção dos sete jurados é conduzida no Fórum Criminal de Guarulhos, as demais audiências da unidade estão suspensas e a expectativa inicial da Justiça é de que o julgamento dure cerca de cinco dias.
Na chegada ao fórum os defensores afirmaram que a narrativa construída pela investigação não corresponde à realidade dos fatos apresentados à corte. “Hoje nós vamos desmascarar essa opinião publicada que perdurou”
Conforme o advogado Cláudio Dalledone, a defesa pretende demonstrar ao corpo de jurados que existem hipóteses alternativas que não foram suficientemente consideradas pela investigação. “E hoje, para o destinatário da prova, que é o jurado, nós vamos mostrar que existem duas hipóteses absolutamente plausíveis ali dentro. Nós temos a banda podre da Polícia Civil, que foi investigada pelo Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado], extorquindo Vinicius Grietzbach e que tinha todo o interesse e a motivação para dar cabo da vida dele. Nós temos prova documental, material e testemunhal disso”
O advogado Mauro Ribeiro, que representa o tenente Fernando Genauro, afirmou que a estratégia da defesa é provar que os três acusados não estavam na cidade no dia do crime. “Nos vamos comprovar que todos, não só Genauro, todos os réus não estavam em Guarulhos, não cometeram esse crime, não têm ligação alguma com quem foi apontado como mandante ou com policiais civis delatados nessa situação”
Ribeiro acrescentou que a acusação teria sido montada para ocultar os verdadeiros responsáveis. “Essa acusação, na verdade, foi construída para acobertar os verdadeiros mandantes e executores que serão demonstrados em plenário pela defesa”
O advogado Renan Canto, que defende os três policiais, resumiu a tese de inocência apresentada ao público e à imprensa. “eles foram arrastados por uma acusação dirigida, dissimulada e manipulada, que os trouxe para o banco dos réus”
Canto também comparou o caso a outros episódios em que, segundo sua leitura, agentes da polícia civil teriam deturpado investigações. “O que temos aqui é igual ao que aconteceu com o caso Marielle no Rio de Janeiro, onde a banda podre da Polícia Civil estava envolvida e manipulando acusações, trazendo inocentes para o banco dos réus”
Além das declarações da defesa, familiares das vítimas acompanharam o início do julgamento. Antes de entrar no fórum a mãe do motorista de aplicativo Celso Novais pediu por justiça. “Espero justiça. Justiça. O meu filho estava trabalhando, né? Era um filho maravilhoso, um bom pai, um bom marido e infelizmente eles tiraram a vida dele inocentemente”
O Ministério Público será representado pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes e planeja ouvir 21 testemunhas durante a instrução do processo, que se inicia com a seleção dos jurados, seguirá pelos depoimentos arrolados por acusação e defesa, inquirição dos três réus e os debates finais entre as partes antes da deliberação dos sete jurados.
Serão julgados o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, que estão presos no Presídio Militar Romão Gomes. Segundo o Ministério Público, o cabo Denis Martins e o soldado Ruan Rodrigues teriam usado fuzis para executar Gritzbach, e o tenente Genauro teria levado a dupla de carro ao local e auxiliado a fuga.
Conforme conclusão do inquérito da Polícia Civil, divulgada em março do ano passado, seis pessoas foram indiciadas pelo crime. Entre elas aparecem Emílio Carlos Gongorra Castilho conhecido como o Cigarreira e Diego dos Santos Amaral conhecido como o Didi, apontados como mandantes e que permanecem foragidos, além de Kauê do Amaral Coelho cujo processo foi desmembrado e não será julgado nesta fase.
A investigação policial apontou motivação vinculada a vingança e a acusações de que o delator havia ordenado mortes de aliados de lideranças do Primeiro Comando da Capital PCC na região metropolitana de São Paulo. Vinicius Gritzbach respondia por homicídio e havia firmado delação premiada com o Ministério Público entregando nomes ligados ao PCC e denunciando corrupção policial.
O julgamento será presidido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, que atuou em importantes processos anteriores, e deverá ocorrer em sessão contínua até a decisão do júri, com expectativa de duração aproximada de cinco dias.

