EUA e Irã retomam negociações na Suíça em meio ao impasse no Líbano

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EUA e Irã se encontraram neste domingo na Suíça para a primeira rodada de negociações desde a assinatura de um memorando de entendimento que prevê um acordo de paz mais amplo para o Oriente Médio.

O encontro durou 80 minutos e ocorreu no contexto do impasse no Líbano entre o Hezbollah e Israel, com a delegação iraniana condicionando o prosseguimento das conversas ao término das hostilidades em todos os teatros de confronto, incluindo o sul libanês.

O porta voz do ministério das relações exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, informou que o objetivo do encontro foi implementar as disposições previstas no memorando e ressaltou a necessidade de encerrar o conflito no Líbano. “Sem a implementação dessas disposições, especialmente o parágrafo 1 (encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano), não é possível prosseguir para a fase de negociação do acordo final” Baqaei também mencionou que foram debatidas isenções para exportação de petróleo iraniano e medidas para liberar fundos do Irã bloqueados no exterior por sanções econômicas.

Na véspera da reunião, após ataques de Israel ao Líbano no sábado, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, afetando o tráfego que, segundo o memorando, deveria permanecer livre por 60 dias.

Enquanto as delegações se reuniam na Suíça, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar ação militar contra o Irã, responsabilizando o Hezbollah pela escalada no Líbano. “O Irã deve impedir imediatamente que seus agentes bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!”

MB Ghalibaf, chefe do Parlamento iraniano e líder da delegação do Irã nas negociações, reagiu às declarações do presidente americano em rede social e advertiu sobre respostas no terreno. “Não levamos em conta as ameaças dos americanos. É melhor que tomem cuidado com suas declarações; nossas forças armadas estão prontas para responder de outra maneira. Por mais que falem, somos nós que agimos”

O vice presidente dos EUA JD Vance, responsável pela delegação da Casa Branca na Suíça, disse a jornalistas, antes do encontro com a equipe iraniana, que as conversas registraram progresso e que havia otimismo quanto à via diplomática. “O que o presidente [Trump] nos pediu foi que virássemos a página, que transformássemos nosso relacionamento com o povo do Irã”

Do lado regional, o governo de Tel Aviv manteve a intenção de conservar posições no sul do Líbano, postura que complica a exigência iraniana por cessar-fogos em todas as frentes. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país dispõe de liberdade de ação no Líbano para neutralizar ameaças e reforçou a permanência militar. “Como o primeiro-ministro Netanyahu e eu esclarecemos – Israel não se retirará da zona de segurança no Líbano”

O Hezbollah advertiu que qualquer tentativa de violar a ocupação israelense no Líbano será rechaçada pelo grupo. Em comunicado, o secretário geral adjunto do Hezbollah, Sheikh Naim Qassem, afirmou que Israel deve deixar o país e acrescentou que os Estados Unidos têm capacidade de obrigar Tel Aviv a interromper as agressões, por conta do apoio que permitiu o avanço da ocupação no Líbano.

As discussões na Suíça abordaram ainda os mecanismos para aliviar sanções que travam exportações de petróleo iraniano e para desbloquear ativos congelados fora do país, temas centrais para permitir a execução prática do memorando de entendimento.

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