Lula pede empenho dos países ricos e afirma que desigualdades globais crescem

news 187562 1781663151

No centro das discussões em Évian, Lula exigiu respostas concretas das economias mais ricas para conter a ampliação das disparidades entre Norte e Sul e alertou para a retração da cooperação internacional. “Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”

Convidado a participar da Cúpula do G7, o presidente reforçou a necessidade de corrigir as desigualdades geradas pelo atual sistema econômico. “Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”

Ao detalhar o impacto dos cortes orçamentários e dos conflitos, Lula lembrou dados recentes sobre organismos de auxílio e desenvolvimento. “A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento”

O presidente também trouxe à mesa o volume dos gastos militares e sua repercussão sobre as economias em desenvolvimento, destacando valores que consomem recursos públicos e privados. “Não são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento”

Na sequência, o presidente apontou efeitos concretos das prioridades financeiras globais sobre populações vulneráveis e sobre a capacidade dos países pobres de investir em serviços básicos. “O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos”

Lula rememorou sua primeira participação em cúpulas do G8 em 2003 e fez um balanço das últimas reuniões entre as grandes economias, destacando a dificuldade em traduzir encontros em políticas duradouras. “Em todas nos defrontamos com desafios que afetam milhões de pessoas. Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras”

Ao contextualizar discursos e soluções propostas nos últimos anos, o presidente criticou abordagens que retornam como respostas simplistas à complexidade atual. “Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”

Sem citar nomes, Lula observou a concentração extrema de riqueza como exemplo da assimetria global e conectou essa realidade às recomendações de encontros internacionais sobre financiamento ao desenvolvimento. Por fim, ele indicou orientações apontadas na Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento. “O desafio não é administrar a escassez. O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política”

Ao longo do discurso, o presidente relacionou os cortes em organismos, os gastos militares e a rigidez das dívidas com a persistência das privaçãoes no Sul Global, sem sugerir medidas específicas no evento, e reafirmou o apelo por maior compromisso das nações mais ricas.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também