Lula afirma que combate ao crime deve respeitar soberania dos Estados

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Em discurso na cidade francesa de Évian, nesta terça-feira (16), o presidente tratou como prioritária uma resposta abrangente ao narcotráfico que, segundo ele, deve observar limites vinculados à soberania dos Estados. “O crime organizado aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”.

O presidente relacionou o enfrentamento ao narcotráfico a outros delitos e apontou mecanismos de cooperação internacional para rastrear bens e pessoas ligadas a essas redes criminosas. “E o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”, e defendeu o diálogo e a cooperação por meio da Interpol para a localização de ativos e indivíduos vinculados a tais atividades criminosas.

A fala reiterou preocupação com a defesa da soberania após os Estados Unidos terem classificado o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como narcoterroristas, o que possibilitaria, segundo a legislação dos EUA, uma eventual interferência sobre o Brasil.

Minerais críticos e inteligência artificial

Além do tema da segurança, o chefe do Executivo abordou aspectos econômicos e tecnológicos, argumentando que países detentores de minerais críticos devem participar de etapas da cadeia de valor que vão além da extração. “Devem participar [também] das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais”, disse ao tratar da distribuição de benefícios econômicos.

Na mesma linha, chamou atenção para os riscos de desigualdade decorrentes das transformações digitais e do avanço da inteligência artificial, e defendeu parcerias que ampliem o acesso a essas tecnologias. “As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”. A proposta apresentada inclui esforços para ampliar o alcance de tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, a um número maior de países.

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