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Mato Grosso do Sul tem 44,6% da população com até 29 anos e 458 mil economicamente ativos

Mapa de Mato Grosso do Sul com gráficos e ícones representando crianças, jovens, educação, saúde e trabalho

Mato Grosso do Sul concentra 1.228.633 pessoas entre zero e 29 anos e o painel apresenta dados detalhados sobre educação trabalho saúde mental e denúncias de violações

O Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul lançou nesta quinta-feira, 28 de maio, o décimo painel temático dedicado à infância e juventude e revelou que 1.228.633 pessoas têm entre zero e 29 anos, o que corresponde a 44,6% da população do estado. Do total, 606.792 são crianças de 0 a 14 anos e 621.841 são jovens de 15 a 29 anos, com predomínio da população parda e uma distribuição por sexo de 50,5% homens e 49,5% mulheres.

O painel reúne informações do Censo 2022 do IBGE, da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar PeNSE 2024 e de bases dos ministérios da Saúde do Trabalho e Emprego e dos Direitos Humanos e da Cidadania e organiza indicadores sobre escolaridade trabalho rendimento e vínculos formais. Mato Grosso do Sul aparece entre os dez estados com maior taxa de alfabetização na faixa de 15 a 29 anos com 98,9%.

Entre os jovens de 18 a 29 anos, 46,6% concluíram o ensino médio, 24,2% têm o ensino fundamental completo 15,3% ainda não concluíram o ensino fundamental e 13,8% possuem ensino superior completo. O estudo também registra adesão à Educação de Jovens e Adultos EJA por 4.448 jovens de 18 a 24 anos sendo que 52,8% concluíram o ensino médio por essa via.

O painel destaca ainda recortes sobre maternidade na infância e juventude. Entre as mães de 12 a 14 anos, 49,9% têm dois filhos e não possuem instrução ou ensino fundamental completo. Entre mulheres de 15 a 29 anos a maioria registra um filho e a escolarização varia por faixa etária com maior conclusão do ensino médio entre as de 20 a 29 anos.

Na economia a pesquisa aponta que 458 mil jovens entre 10 e 29 anos estão na população economicamente ativa do estado e que 24% desses conciliam trabalho e estudos. Os setores que mais empregam esse contingente são serviços comércio e indústria de transformação, com indicadores que permitem entender ocupação rendimento e vínculos formais no mercado de trabalho.

Na área de saúde o painel traz indicadores como taxa de mortalidade infantil cobertura vacinal diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista TEA e número de pessoas com deficiência. Um recorte sobre saúde mental de estudantes entre 13 e 17 anos mostra índices elevados de tristeza ansiedade e perda de sentido da vida. Em uma sala com 20 alunos em Mato Grosso do Sul pelo menos um relata não ter nenhum amigo próximo e a solidão no estado 5,7% supera a média brasileira 4,5% sendo maior na rede pública 6,1% ante 2,5% na privada.

Os dados da PeNSE 2024 também indicam que um em cada três jovens já pensou em se machucar com risco mais elevado entre as mulheres 47,6% ante 21,7% entre os homens e que quase três a cada dez jovens mulheres 29,2% sentem que a vida não vale a pena ser vivida contra 13,3% entre os homens.

O painel inclui números sobre violações de direitos de crianças e adolescentes no estado. Em 2025 o Disque 100 recebeu 28.378 denúncias envolvendo crianças e entre 2021 e 2025 foram registradas 66 mil violações que ocorreram dentro da residência onde vivem vítima e suspeito em 51 mil casos o agressor era a mãe da vítima. As principais tipologias apontadas são violações à integridade física integridade psíquica negligência e violação de direitos sociais.

O levantamento também evidencia desigualdades raciais entre as vítimas com 42,4% das denúncias envolvendo crianças e adolescentes pardos 34,2% envolvendo brancos e distribuição por faixa etária com maior incidência entre crianças de 2 a 4 anos 18,4% seguidas pelas de 7 a 9 anos 17,8% e pelas de 12 a 14 anos 17,2% sendo as mulheres as principais vítimas.

O coordenador do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul professor Samuel Oliveira destacou a importância da ferramenta para políticas e pesquisa. “Nosso objetivo é que essas informações sejam acessíveis para toda a sociedade. Com os dados disponíveis gratuitamente no portal do Observatório, queremos contribuir para a construção de políticas públicas mais eficientes, apoiar pesquisas, fortalecer o trabalho das organizações sociais e ampliar o acesso da imprensa a informações qualificadas sobre a infância e a juventude em Mato Grosso do Sul”.

Criado em 2024 o Observatório é programa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e com apoio da FUNDECT e reúne equipe multidisciplinar para fortalecer a cidadania ativa por meio do acesso a dados e da disseminação de informações qualificadas.

Todas as informações do painel infância e juventude estão disponíveis no portal do Observatório da Cidadania da UFMS.

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