Polícia Civil abre investigação sobre desvio milionário em agência do BRB
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quinta-feira (7) a Operação Insider com o objetivo de aprofundar a apuração de movimentações financeiras suspeitas de aproximadamente R$ 15 milhões envolvendo funcionários do BRB, um servidor público federal e empresários.
Os investigados, cujos nomes não foram divulgados à imprensa, são suspeitos de práticas que incluem lavagem de dinheiro e corrupção, conforme informações oficiais da corporação.
Dezessete mandados judiciais de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas unidades da Federação do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo com apoio do Ministério Público distrital e da Polícia Civil fluminense.
A Justiça também autorizou o bloqueio financeiro de R$ 15 milhões nas contas dos alvos e proibiu a transferência de oito veículos de alto valor e de um imóvel localizado no Distrito Federal, medidas adotadas no curso das diligências.
O BRB identificou operações que considerou atípicas e comunicou as autoridades financeiras e policiais, apontando que alguns lançamentos teriam ocorrido com o aval do gerente de uma de suas agências.
Conforme a Polícia Civil do Distrito Federal, os investigadores já reuniram indícios de transferências bancárias entre os investigados, inclusive por intermédio de contas vinculadas a empresas dos suspeitos, além de sinais de ocultação patrimonial por meio da aquisição de veículos de luxo e da fragmentação de recursos em movimentações menores.
A apuração alcança, ainda, possíveis irregularidades em operações estruturadas no âmbito da BRB DTVM, a distribuidora de títulos e valores mobiliários vinculada ao banco.
Consequências e enquadramentos penais
Se houver condenação, os suspeitos poderão responder pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cuja pena acumulada pode chegar a até 30 anos de prisão, segundo as autoridades responsáveis pela investigação.
Consultado pela Agência Brasil, o BRB não havia se pronunciado sobre a operação até a publicação desta reportagem.
Contexto institucional
O episódio ocorre em meio a uma crise mais ampla que envolve o banco e que ganhou destaque após a deflagração, em novembro de 2025, da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, que expôs um esquema fraudulento ligado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Na ocasião, o BRB sofreu perdas bilionárias na aquisição de créditos do Master, negócios cuja continuidade havia sido desaconselhada por técnicos, e os fatos investigados pela Polícia Federal resultaram no afastamento e na prisão do então presidente do banco, Paulo Henrique Costa.
Também nesta manhã a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Compliance Zero, com alvos entre os quais estão o senador e presidente do Partido Progressista Ciro Nogueira, seu irmão Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, um parente de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, e outros investigados por supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e ilícitos contra o Sistema Financeiro Nacional.

