Lula defende parceria com a Europa para descarbonização e proteção de empregos

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Na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu uma colaboração mais estreita com a União Europeia para reduzir custos de energia e acelerar a descarbonização da indústria, ao mesmo tempo em que ressaltou a necessidade de proteger empregos diante da evolução das tecnologias.

Ao defender que as normas europeias reflitam a matriz energética brasileira, Lula destacou a dimensão das negociações comerciais e industriais e as vantagens de reconhecer fontes limpas na cadeia produtiva. “Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”

No mesmo tom, ele criticou barreiras a combustíveis renováveis e relacionou a abertura de mercado com objetivos ambientais e energéticos. “Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”

Lula avaliou que a conversa sobre tecnologia não pode desconsiderar efeitos sociais e geopolíticos, ressaltando o papel da inteligência artificial tanto para ganhos produtivos quanto para riscos éticos e militares. “A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”

Ao apelar a empresários e pesquisadores para que considerem o impacto das novas tecnologias sobre o trabalho, o presidente enfatizou a gradação humana por trás das inovações. “Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”

O chefe do Executivo também tratou de indicadores domésticos e direitos trabalhistas, registrando que o país tem a menor taxa de desemprego de sua história e defendendo mudanças nas jornadas para ampliar o descanso dos trabalhadores e evitar a escala 6×1.

Em relação aos efeitos do conflito no Oriente Médio, Lula classificou as repercussões como irrazoáveis e citou medidas internas adotadas para reduzir impactos econômicos, diante do fato de o Brasil depender de cerca de 30% do óleo diesel importado.

O presidente fez referência à dimensão global do conflito e ao custo humano e financeiro das guerras, pedindo responsabilidade às potências com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, e condenou a prioridade de gastos militares em contexto de desigualdade e insegurança alimentar.

Sobre as consequências práticas, ele observou a volatilidade do preço do petróleo e a escassez de fertilizantes como fatores que encarecem energia, transporte e produção agrícola, afetando principalmente os mais vulneráveis e alimentando respostas protecionistas insuficientes para problemas complexos.

Diante do cenário no comércio internacional, Lula defendeu a necessidade de reformular a governança multilateral e citou a estagnação da Organização Mundial do Comércio como motivo para sua reconstrução, ao mesmo tempo em que destacou acordos bilaterais e regionais em curso. “Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”

O compromisso ambiental do governo também foi lembrado com metas e resultados recentes, incluindo esforços para reduzir o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. “Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento da Amazônia e em 32% no Cerrado”

Na pauta de energia e combustíveis, Lula apontou medidas de sustentabilidade e mistura obrigatória como exemplos de política industrial com viés ambiental. “Já adotamos mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% no biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”

O presidente ressaltou ainda a matriz elétrica brasileira e potencialidades estratégicas para a transição energética, com 90% da eletricidade classificada como limpa e possibilidade de produzir hidrogênio verde a custos competitivos, além de reservas minerais relevantes para a descarbonização e a transformação digital. “Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já tem a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terra rara e a terceira de níquel”

Lula afirmou que não pretende ver o Brasil como mero fornecedor de matérias-primas e manifestou interesse em parcerias que incluam transferência de tecnologia, em diálogo que contou com a presença do chanceler alemão Friedrich Merz, representantes governamentais e empresários dos dois países.

O discurso teve momentos de aplauso da plateia, em especial quando o presidente reforçou compromissos ambientais e medidas voltadas à economia verde e à indústria 4.0 que serão priorizadas pelo governo a partir de 2026.

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