Trump anuncia cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano
O presidente dos Estados Unidos comunicou que intermediou um acordo de cessar fogo entre Líbano e Israel e publicou em rede social a mensagem
“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi [Benjamin] Netanyahu, de Israel. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias às 17h [horário de Brasília]”
Na mesma publicação o chefe da Casa Branca acrescentou
“ambos os lados querem ver a paz, e acredito que isso acontecerá, em breve!”
O parlamentar do Hezbollah Ibrahim al-Musawi informou à agência francesa AFP que o grupo aceitará o cessar fogo desde que os ataques israelenses cessem, o que condiciona a aplicação prática do acordo.
Reações de governos e forças
O governo em Tel Aviv não emitiu posicionamento oficial sobre o anúncio e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ainda não se manifestou publicamente.
Conforme reportou o jornal The Times of Israel, ministros do gabinete receberam a notícia com surpresa e a decisão teria sido tomada a pedido do presidente americano, enquanto a oposição qualificou a medida como um cessar fogo imposto a Israel.
O portal Ynet registrou declaração de um oficial militar israelense indicando que, mesmo com a trégua, as tropas permaneceriam no território libanês, o que evidencia diferenças práticas entre o acordo anunciado e o posicionamento operacional.
O presidente do Líbano Joseph Aoun divulgou agradecimento pelos esforços americanos para alcançar o cessar fogo e desejou continuidade nas iniciativas destinadas a estabilizar a região.
Nas redes sociais o primeiro-ministro do Líbano Nawaf Salam saudou o anúncio
“Acolho com satisfação o anúncio do cessar-fogo proclamado pelo presidente Trump, que constitui uma reivindicação libanesa central pela qual nos empenhamos desde o primeiro dia da guerra e que foi o nosso objetivo primordial no encontro de Washington na terça-feira”
Contexto e histórico
A atual fase do confronto entre Israel e o Hezbollah teve início em outubro de 2023, quando o grupo xiita lançou ataques no norte de Israel em demonstração de solidariedade ao povo palestino diante dos massacres na Faixa de Gaza.
Em novembro de 2024 houve um acordo de cessar fogo entre o Hezbollah e Tel Aviv, que não foi plenamente respeitado por ataques israelenses posteriores no Líbano.
Com o início da agressão contra o Irã em 28 de fevereiro, conforme relatos, o Hezbollah voltou a atacar Israel alegando respostas às violações sistemáticas do cessar fogo nos meses anteriores e também em retaliação ao assassinado do líder Supremo do Irã Ali Khamenei.
No dia 8 de abril foi anunciado um cessar fogo relacionado à guerra no Irã, mas ataques israelenses no Líbano continuaram, o que, segundo informações, motivou novas exigências iranianas.
O Irã vinha condicionando a continuidade das negociações com os Estados Unidos à inclusão do Líbano no cessar fogo, e fontes indicam que uma segunda rodada de conversas com os EUA estava prevista para os próximos dias.
Representantes de Israel e do Líbano se encontraram em Washington nesta semana, o primeiro contato formal desde 1983, ano marcado pela primeira invasão israelense ao território libanês, em um movimento que buscou abrir canais diplomáticos que agora se situam no centro do novo acordo anunciado.

