Reino Unido rejeita bloqueio no Estreito de Ormuz proposto pelos EUA
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou à BBC nesta segunda-feira que não aceitará participar do bloqueio naval que os Estados Unidos declararam pretender instaurar no Estreito de Ormuz, justificando a decisão pela necessidade de evitar uma escalada militar e resistir às pressões externas. “Minha decisão foi muito clara: qualquer que seja a pressão, e tem havido uma pressão considerável, não vamos ser arrastados para a guerra”. A imprensa britânica apurou que, apesar da recusa em aderir a um esforço para bloquear portos iranianos, unidades de caça-minas e capacidades antidrone do Reino Unido seguirão operando no Oriente Médio.
Posicionamento aliado e iniciativa franco-britânica
O Reino Unido e a França anunciaram a intenção de reunir parceiros nos próximos dias para debater uma ação multinacional voltada à liberdade de navegação no Estreito. Em rede social, o presidente francês Emmanuel Macron antecipou a convocação e colocou a iniciativa como distinta dos atores em conflito. “Organizaremos uma conferência com aqueles países dispostos a contribuir ao nosso lado para uma missão multinacional pacífica destinada a restaurar a liberdade de navegação no estreito. Essa missão estritamente defensiva, separada das partes beligerantes do conflito”.
O anúncio de Washington de que “outros países” integrariam a operação tem provocado tensão entre aliados e levou o governo dos EUA a intensificar pedidos de apoio. A declaração do Comando Central dos Estados Unidos sobre o plano de bloqueio define sua abrangência de forma ampla. “O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entram ou saem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”.
Reações internacionais e riscos de retaliação
Pressionado por Washington, o Japão vem acompanhando o desenrolar dos fatos e prioriza uma solução diplomática. Em coletiva, o chefe de gabinete do governo japonês Minoru Kihara comentou a necessidade de evitar escalada e de garantir a segurança do tráfego marítimo. “O mais importante é conseguir uma desescalada da situação, incluindo garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, e chegar a um acordo final por meio da diplomacia o mais rápido possível”.
A China vincula a normalização da circulação no Estreito à cessação do confronto armado na região e sinaliza disposição para atuar de forma construtiva. Em entrevista coletiva, o porta-voz do ministério das relações exteriores, Guo Jiakun, declarou enfaticamente a prioridade pela contenção. “A causa principal da perturbação no Estreito de Ormuz é o conflito militar. Para resolver a questão, o conflito deve cessar o mais rápido possível. Todas as partes precisam manter a calma e exercer contenção. A China continuará a desempenhar um papel construtivo”.
Do lado iraniano, as Forças Armadas do país ameaçaram retaliações contra portos no Golfo Pérsico e no Mar do Omã caso a segurança dos portos iranianos venha a ser ameaçada, e Teerã informou ainda que os inimigos do país persa não poderão passar por Ormuz.
A resistência de aliados a integrar um bloqueio anunciado por Washington provocou reação do presidente dos EUA, que chegou a classificar alguns países de “covardes” e aventou a possibilidade de abandonar a Otan, segundo registros de declarações recentes.
No âmbito diplomático, a semana passada registrou a rejeição, por veto de Rússia e China, a uma resolução apresentada pelo Bahrein em nome dos países do Golfo Pérsico que buscava autorização para uso da força com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz junto ao Conselho de Segurança da ONU.
O anúncio norte-americano também teve efeito imediato nos mercados. Nesta segunda-feira o preço do barril de petróleo tipo Brent voltou a alcançar a marca dos US$ 100, um avanço de cerca de 5,5 por cento, em reação às perspectivas de interrupção do tráfego na passagem estratégica. Antes da eclosão do conflito, circulavam pelo Estreito cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, e estima-se que perto de 20 por cento do petróleo e do gás mundial transite pela região de Ormuz.
Relatos oficiais e coberturas da imprensa confirmam que, apesar da recusa do governo britânico em colaborar com um bloqueio de portos iranianos, forças navais do Reino Unido manterão operações especializadas na área, ao passo que a comunidade internacional continua a debater mecanismos para restaurar a liberdade de navegação sem ampliar as hostilidades.

